09 de julho de 2026
Internacional

Sob sigilo, relatório sobre morte de Jean Charles é entregue à Promotoria

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Londres - O relatório de uma comissão britânica independente sobre a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes foi entregue ontem, no Reino Unido, à CPS (Crown Prosecution Service, órgão britânico equivalente à Promotoria). A Comissão Independente de Queixas Contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês) afirmou que, além de entregar o relatório à Promotoria, enviou cópias também ao Ministério do Interior e à Polícia Metropolitana de Londres.

Cabe agora à CPS decidir se processará algum policial envolvido na morte de Jean Charles, trâmite que poderá levar semanas.

O mineiro de 27 anos que morava em Londres foi morto no dia 22 de julho do ano passado, com sete tiros na cabeça, por policiais. Confundido com um terrorista, Menezes foi alvejado em um trem do metrô, na estação de Stockwell. O assassinato ocorreu duas semanas após quatro atentados simultâneos no sistema de transporte público da Capital britânica terem matado 52 pessoas.

A família de Jean Charles protestou ontem por não haver recebido uma cópia do relatório da IPCC. “É inaceitável que, mais uma vez, as vítimas dessa tragédia sejam as últimas a serem informadas. Continuamos no escuro”, afirmou uma declaração emitida pela família do brasileiro.

De acordo com a rede de notícias britânica BBC, o relatório - que é mantido em sigilo - deve apontar “falha de comunicação” entre os policiais envolvidos na morte de Jean Charles, que vigiavam a casa da qual ele saiu em direção ao metrô, por suspeitarem que um suposto terrorista estivesse morando lá.

Logo em seguida, policiais o seguiram até a estação e o mataram. A BBC afirma ainda que a comandante Cressida Dick, oficial que, naquele 22 de julho, supervisionava os agentes envolvidos na morte do brasileiro, “quase não tinha dormido por causa da falta de oficiais (...) para lidar com ameaças de homens-bomba”.

Durante a investigação que deu origem ao relatório, a IPCC entrevistou diversos membros da Polícia Metropolitana de Londres. Mas o chefe da força, o comissário Ian Blair, não foi interrogado. Uma outra investigação, sobre seu papel no incidente, está sendo conduzida também pela IPCC.