11 de julho de 2026
Bairros

Chuva desaloja família na Vila Maria

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

A chuva da madrugada de anteontem acumulou 21 milímetros, considerada de média intensidade pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), mas foi suficiente para desalojar uma família em Bauru e causar transtornos a outras. A dona de casa Maria de Fátima Faria, que havia passado a noite na casa de amigos, na zona rural, levou um susto quando chegou em sua casa, na rua Tiburtino Grillo, na Vila Maria, região Oeste da cidade: a residência estava tomada por lama e os móveis, molhados.

Ela e o marido tiveram de sair do imóvel para que os funcionários da prefeitura retirassem a lama acumulada. Mesmo com as portas fechadas, a enxurrada invadiu a casa, que fica numa região baixa, às margens do córrego Água do Sobrado. Maria de Fátima explica que a enxurrada entrou por causa de uma erosão na rua a poucos metros de sua casa, que desviou o curso da água da chuva que corre sobre a rua.

Ela relata que estava descansando na casa de amigos quando recebeu um telefonema, ainda na madrugada. “Meu filho avisou que a água da chuva entrou dentro de casa e molhou os móveis”, conta. Com medo de sofrer um acidente na estrada, ela esperou o dia clarear para voltar para casa. Quando chegou, encontrou a água acima do rodapé da parede, molhando os móveis. “Por enquanto, sei que perdi um colchão, móvel da televisão e tapetes”, contabiliza ela, que retornaria à casa dela assim que a limpeza fosse concluída.

Mas Maria de Fátima não foi a única a sofrer com a chuva. A casa de seu filho, o auxiliar de construção civil, Agnaldo de Faria, que mora numa edícula nos fundos do terreno, também foi invadida pela enxurrada. Recém-casado, ele e a esposa viram armário, cama, mesa, geladeira e máquina de lavar roupas, todos novos, serem molhados pela lama. “Estou desapontado. Hoje nem pude trabalhar porque precisei limpar minha casa”, desabafa.

Outra moradora da mesma rua, Nair Fernandez Trecilo, disse que por pouco a enxurrada não entrou em sua casa. Para ajudar a vizinha, que teve a casa invadida pela enxurrada, ela fez um buraco na parede para dar vazão à água. “Era muita água e acabou empossando no meu quintal”, relata.

Do outro lado da cidade, no Jardim Nicéia, a chuva também causou estragos. A enxurrada entrou em quintais de casas da rua 5, apesar da barreira de sacos de areia colocada para fazer a contenção. Segundo os moradores, as casas estão sob risco de desabar.

Maria Olinda Pereira sofre com as chuvas há 12 anos, desde que se mudou para o bairro. Só neste ano, é a segunda vez que ela corre risco de ficar desabrigada. Ela mostra a rachadura na parede de sua casa como prova da possibilidade de desabamento. Também devido à chuva, um automóvel ficou ‘ilhado’ no viaduto da avenida Rodrigues Alves, acesso à rodovia Marechal Rondon.

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Trâmite

Nos primeiros 20 dias deste ano, choveu 151 milímetros em Bauru, menos da metade do volume do mesmo período de 2005, quando o acumulado foi de 307 milímetros. O volume é considerado dentro da média pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet).

Anteontem, nas seis horas de chuva, o instituto registrou 21,2 mm. Segundo o operador de meteorologia, Hermes Augusto de Godoy França, a chuva de anteontem não foi considerada forte. “São necessários pelo menos 100 milímetros de água para ser uma chuva forte”, avalia. No mês de janeiro de 2005, o IPMet registrou 446,02 milímetros.