08 de julho de 2026
Nacional

Botelho anuncia sua saída da Embraer

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O presidente executivo da Embraer, Maurício Botelho, informou ontem, em São Paulo, que a empresa vai desenvolver nos próximos sete anos pelo menos mais quatro modelos de aviões para a área executiva. Botelho também anunciou a sua saída da empresa em abril de 2007.

Sem citar o valor dos projetos, Botelho disse que a Embraer pretende criar a versão executiva dos jatos comerciais 170 (70 assentos) e 190 (100 assentos). Ainda segundo Botelho, dois jatos novos também serão desenvolvidos para integrar a família de aviões executivos da empresa, que hoje conta com o Phenon 100 (seis lugares), Phenon 300 (nove lugares) e o Legacy 600 (13 a 16). “Nós tomamos uma decisão estratégica no ano passado de nos tornarmos uma presença forte no mercado de aviação executiva. No curto prazo, precisaremos ter pelo menos mais dois modelos de aviões, que se enquadrem nas categorias entre o Phenon 300 e o Legacy 600”, disse Botelho.

O anúncio foi feito em entrevista coletiva em São Paulo que tratou do projeto de pulverização do controle acionário da Embraer. A proposta, que transforma em ordinárias todas as ações da empresa, dando a todos os acionistas direito a voto, foi aprovada anteontem por unanimidade pelo Conselho de Administração. Em março, a pulverização será votada em uma assembléia geral, quando todos os acionistas poderão opinar. Para que a mudança passe a valer, terá que ser aprovada por mais de 50% de votos na assembléia e ser analisada novamente pelo Conselho.

Botelho disse que a pulverização é “o evento mais importante da Embraer desde a privatização”, em 1994. A mudança, segundo ele, trará mais liquidez e valorização às ações e seria a única maneira de a empresa obter dinheiro para continuar a crescer e desenvolver novos produtos, já que o país não possui políticas de incentivo ao setor aeronáutico e os acionistas não têm capacidade para aumentar seus aportes.

Com a pulverização, a Embraer deixa de ser controlada pelo bloco formado pelos principais acionistas, os fundos de pensão Previ (dos funcionários do Banco do Brasil) e Sistel (da área de telefonia) e a Cia. Bozano. Juntos, eles têm 60% das ações da Embraer. As atuais ações ordinárias vinculadas ao bloco formado por Previ, Sistel e Cia. Bozano terão um prêmio de 9%.

Botelho, 62 anos, anunciou ainda ontem que deixará a presidência executiva da Embraer em abril de 2007, após o período de transição entre os modelos de estrutura de capital. À frente da companhia desde a privatização, conduziu a Embraer de uma situação de crise aguda para o quarto lugar entre os fabricantes de jatos comerciais no mundo. Engenheiro mecânico, disse que a decisão de sair é “pessoal” e defendeu a renovação do controle da empresa.

Venezuela

O presidente-executivo da Embraer disse ontem que ainda não está totalmente descartada a possibilidade de a empresa vender aviões militares para a Venezuela, operação que foi vetada pelos Estados Unidos. “Eu acredito que haja uma evolução (na questão). E acredito fortemente porque o avião que estamos falando não é de agressão. Ele é um avião de fazer valer a lei, voltado para missões contra o tráfico de drogas e de armas, basicamente”, disse Botelho.

Além disso, o presidente da Embraer afirmou que se trata de um avião que atende uma preocupação que não é só da Venezuela, mas também de outros países como o Brasil “É isso que nos anima a achar que haverá uma solução para isto na medida que se considerar que jamais será um avião de agressão.”

De acordo com Botelho, o valor do contrato da Embraer com a Venezuela, que contempla a venda de 24 aviões, é inferior a US$ 200 milhões. O executivo ressaltou ainda que a posição dos Estados Unidos não é contra a Embraer ou o Brasil, mas contra a Venezuela. “Acho que é preciso analisar estas questões com uma visão pragmática, porque não há nada contra nós ou o Brasil. O problema é entre Estados Unidos e Venezuela”, disse acrescentando que não é o Brasil nem a Embraer que vão resolver a questão.