08 de julho de 2026
Nacional

Pedrada prévia

Por Leila Suwwan | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

No gigantesco telão surge a ruidosa e hipnotizante explosão que originou o universo - o Big Bang. E no palco escurecido surgem Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ron Wood causando ainda mais estrago com a música “I’m All Right” e cumprindo a promessa do nome do novo álbum: “A Bigger Bang”. Assim começou o show dos Rolling Stones em Nova York na última quarta-feira, na segunda etapa da turnê mundial que leva a banda ao Rio de Janeiro em 18 de fevereiro para um show gratuito na praia de Copacabana.

Em plena forma frenética e provocante, a banda inglesa tocou mais de 20 músicas por duas horas para cerca de 15 mil fãs de todas as idades no Madison Square Garden. Mas do álbum lançado em setembro do ano passado, foram apenas quatro - estrategicamente salpicadas entre o repertório clássico e seguidas de hits dos Stones para não deixar a energia cair. Antes de “A Bigger Bang”, a banda não lançava disco com novas gravações desde 1997. Das 16 faixas do novo álbum, eles tocaram apenas “Oh No, Not You Again”, “Rain Fall Down”, “This Place is Empty” e “Rough Justice”.

“Tio” Jagger, 62 anos, de calças apertadas e blazer de paetês pretos, só parou depois de cinco músicas para conversar com o público, tomar fôlego e assumir o teclado para a música “Worried About You”. Seguida de “Rain Fall Down”, o resultado foi decepcionante: metade do estádio acabou sentado. Não demorou muito para o astro pegar a gaita, voltar à guitarra e avançar sobre o público. A platéia voltou a pular com o dueto picante de “Gimme Shelter” com a backing vocal Lisa Fisher.

Irreverente, o guitarrista Keith Richards tomou o microfone para comandar o espetáculo com um solo: “This Place Is Empty Without You”, do álbum novo, e “Happy”. Com Jagger ausente, Richards não desagradou o público como vocalista.

Em mais um de seus vários modelitos extravagantes e com brilhos, Jagger retorna à cena e coloca o estádio para cantar com “Miss You” no ponto alto do show: a parte central do palco avança sob trilhos para o meio da arena, levando a banda 50 metros dentro da platéia. O chamado “palco B” também será utilizado em Copacabana, onde a arena central terá 22 metros de altura e 57 metros de largura. Dezesseis torres de som e imagem serão erguidos na orla a partir da altura do Copacabana Palace, prometem de antemão os organizadores.

O palco recuou novamente ao som do rock blues de “Honky Tonk Woman”, e Jagger vestiu um chapéu estilo gângster para engatar em seqüência três sucessos: “Sympathy for the Devil”, “Start Me Up” e “Brown Sugar”, enquanto a clássica língua dos Rolling Stones no telão indicava o fim. A banda não espera a platéia gritar muito para voltar e tocar “You Can’t Always Get What You Want”. Ainda marchando furiosamente e rebolando maliciosamente de um lado a outro do palco, Jagger encerrou o show com “Satisfaction”. E a produção fecha com mais um último Bang: uma enorme explosão de serpentinas do teto.

Será o terceiro show dos Stones no Brasil, depois que as turnês “Voodoo Lounge” (em 1995) e “Bridges to Babylon” (em 1998) passaram pelo Rio e São Paulo. A turnê de “A Bigger Bang” começou em maio do ano passado, enquanto a banda ainda finalizava o disco.

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Elogios

Seja pela idade (Mick Jagger, 62 anos; Keith Richards, 62; Charlie Watts, 64; Ron Wood, 58 anos), pela destreza sexual de Jagger, pela semelhança entre Richards e o Jack Sparrow de “Piratas do Caribe” ou apenas por ainda terem algum motivo para subir num palco, os Rolling Stones são eternos combustíveis de piadas para a imprensa estrangeira. Com a atual turnê, a banda mostrou a língua. Desde 21 de agosto de 2005, quando abriram em Boston a série de shows para promover o álbum “A Bigger Bang”, as apresentações ao vivo dos Stones vêm recebendo quase unanimamente críticas favoráveis.

“Uma banda com presença de palco como nenhuma outra e que toca por quase duas horas e meia cânones roqueiros que ninguém conseguiria chegar perto”, cravou a revista “Rolling Stone”. Para Steve Morse, do “Boston Globe”, “os Stones são como um Dorian Gray do rock’n’roll - já na casa dos 60 anos, mas tocam como se tivessem metade dessa idade”.

O respeitado Jim DeRogatis, colunista do “Chicago Sun-Times”, diz ter visto a banda dez vezes nos últimos 15 anos e que o show de setembro passado, em Chicago, foi o “mais quente, apaixonante e inspirado”. Ben Ratliff, do “New York Times”, vê os Stones como um grupo “com pouca ou nenhuma conexão com o que existe no rock’n’roll atual”. As críticas geralmente exaltam a vitalidade de algumas canções antigas (como “Jumpin Jack Flash” e “She’s So Cold”) e a energia bem-vinda de novas (como “Rough Justice” e “Back of My Hand”).

Folhapress