10 de julho de 2026
Bairros

Recicláveis: prefeitura inicia combate a atravessadores com cooperativa

Rafael Tadashi
| Tempo de leitura: 2 min

O aumento frenético e constante do consumo de bens e alimentos industrializados têm criado diversos problemas sociais, de saúde pública e ambientais, por conta do excesso de embalagens. Em contrapartida, estes materiais geram um mercado de trabalho que garante a subsistência de diversas famílias.

Na tentativa de organizar a coleta seletiva do lixo, beneficiar os catadores de materiais recicláveis, evitando a ação dos atravessadores, reduzir os riscos que esta atividade representa à saúde das pessoas e da cidade, aumentar a vida útil dos aterros sanitários e minimizar os impactos que a coleta desorganizada traz ao meio ambiente, a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), com o apoio da Secretaria de Educação, Secretaria de Saúde e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), estão iniciando um projeto de organização dos catadores, a criação de cooperativas e a ampliação da coleta seletiva em Bauru.

Para o projeto, a Sebes está realizando um levantamento dos catadores de materiais recicláveis, o mapeamento das áreas com maior concentração de famílias trabalhando neste ramo econômico e verificando o interesse dos catadores em participar da cooperativa. Concomitantemente, a Semma está buscando parcerias para a criação de quatro núcleos de coleta seletiva que serão construídos em regiões distintas da cidade e para a compra de carrinhos e materiais de segurança que serão distribuídos aos catadores cooperados. De acordo com o secretário do Meio Ambiente, Carlos Barbieri, a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis, que funciona no Jardim Redentor, será a central da cooperativa.

“A cooperativa é uma tentativa de organizar e ampliar a coleta de materiais recicláveis, beneficiando o meio ambiente, os catadores, a sociedade como um todo e a cidade. Através da cooperativa, todos trabalham de maneira organizada, segura e ganham melhor do que atuando isoladamente”, explica.

Os problemas sociais provenientes da coleta seletiva surgem por diversos fatores: disputa pelo lixo, antecipação dos catadores à coleta da Semma e exploração dos trabalhadores autônomos pelos atravessadores. O JC apurou que alguns catadores chegam a trocar um dia de trabalho coletando materiais recicláveis pela refeição do dia. “Os catadores autônomos chegam a ganhar três vezes menos do que poderiam receber caso estivessem cooperados, pois os atravessadores acabam ficando com a maior parte do lucro da venda dos materiais”, afirma a secretária do Bem-Estar Social, Egli Muniz.

“Além do exemplo citado por Egli, é preciso ressaltar outro aspecto. Como já existe uma coleta da prefeitura, muitos catadores passam algumas horas antes nos locais onde o caminhão da Semma irá passar e pegam este material que já está selecionado. Isso prejudica o ganho de todos. Daí a importância da criação da cooperativa”, reforça Barbieri.