A única desvantagem, apontam Tizuka e Francisca, é quando precisam atender os clientes fora do horário comercial. “Às vezes precisamos abrir a empresa bem cedinho e até aos domingos. Não tenho férias nem 13.º salário”, diz a comerciante.
“Trabalho das 8h às 18h e às vezes até passo um pouco do horário. Como tenho o ateliê em casa, muitas vezes, os clientes acham que estou sempre à disposição e tocam a campainha fora de hora”, revela.
A comerciante Maria Cecília Brizzi Esnolde, 54 anos, possui uma loja de calçados na parte térrea de seu sobrado e costuma ultrapassar o horário de atendimento para atender os fregueses. “Eu abro a loja às 9h, mas como moro no próprio local de trabalho, algumas pessoas batem na porta às 8h ou depois das 18h. Se estou cuidando dos afazeres domésticos, tenho que parar e atendê-los”, diz.
Apesar das desvantagens, administrar a empresa traz muitos benefícios, ressalta Maria Cecília. “Facilita minha vida, estou sempre perto do serviço e dá para tomar conta do negócio e da casa”, diz ela, que é mãe de Adriana Esnolde, 30 anos, e Adilson Leandro Esnolde, 26 anos.
“Quando meus filhos eram pequenos, trabalhava fora, tinha que cumprir horário e fazer tudo correndo. Agora minha vida é mais tranqüila”, avalia a comerciante.
Manter uma empresa ou trabalhar dentro de casa traz diversos benefícios, mas é essencial saber separar a profissão da vida familiar e relacionamentos, enfatiza Rosana Amador Ramos, psicóloga clínica e organizacional.
O conselho é voltado especialmente para quem tem filhos pequenos. “As mães precisam conciliar e organizar o tempo e as situações. Quando conseguem isso, administram a relação com os filhos.”
“Elas podem, por exemplo, pedir para que a criança faça a tarefa enquanto estão atendendo um cliente”, destaca a psicóloga. “Mas é necessário colocar limites, determinando o espaço destinado ao trabalho e à vida familiar”, ressalta Rosana, que mãe de um jovem de 23 anos, e também administra o próprio negócio em casa.