08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Chamado pela paz


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O tradicional texto da filosofia chinesa “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, datado de mais de 2.500 anos, tornou-se amplamente conhecido no Ocidente depois que administradores e consultores passaram a aplicar vários de seus conceitos na gestão das empresas e corporações. Como esclarece o próprio título, a obra fala da guerra, porém, antes de ser uma ode à prática da guerra, é um chamado à manutenção da paz. Já no seu primeiro parágrafo podemos experimentar o espírito que guia o autor:

“A guerra é a empresa essencial do estado, a base da vida e da morte, o TAO (caminho) para a sobrevivência ou a extinção. Deve ser profundamente ponderada e analisada.” (*1) A guerra como empreendimento do estado, deve ser profundamente ponderada e analisada, suas motivações revistas, suas conseqüências calculadas, porque da guerra depende a vida e a morte. A decisão para guerrear deve considerá-la como último recurso, porque em sua maioria, é uma decisão sem volta.

A despeito de milenar sabedoria, o ser humano muito rapidamente não vacila em lançar-se à guerra. Os governantes das nações, administradores da coisa pública, rapidamente se tornam os “senhores da guerra”. A constante guerra do ocidente contra o oriente (árabe) levou a humanidade a um caminho inevitável: a retaliação, que culminou no “11 de setembro...

A atual guerra do senhor Bush “contra o terror”, guerra não pensada nem ponderada, longe de resolver o problema, só gerou mais guerra, mais retaliação, mais terror (prova disso foi a suposta gravação de Bin Laden, que circulou nesta quinta-feira, 19-01, onde ele “avisa” o mundo que haverá mais terror), mortes de civis e militares... os “Vietnãs” e as “Baias dos Porcos” se multiplicam. Outro que não parece ponderar para falar é o francês Jacques Chirac, que, também na quinta, ameaçou o mundo de usar a bomba atômica em resposta a possíveis “hostilidades” à França. Quinta foi mesmo um dia movimentado, foram publicados os laudos da polícia Inglesa sobre o assassinato do brasileiro no metrô, com sete tiros na cabeça, confundido com um terrorista. Você acha que os policiais ponderaram antes de optarem pela guerra?

Mas nem mesmo em nossas relações pessoais parece haver muito espaço para a Paz. Não exitamos em guerrear até com as pessoas que nos são mais queridas, que amamos. Ao mínimo sinal de desentendimento nos sobra incompreensão, intransigência, cobrança... porque não podemos simplesmente aceitar que somos diferentes e que muitas vezes essas diferenças podem até nos decepcionar, mas elas que nos enriquecem.

As desculpas da guerra são muitas, mas por trás da maioria delas está o medo. O medo de permitir que o mundo do outro encontre com o meu mundo (onde sou o rei e senhor) e permitir que se tornem um só mundo, agora diferente... medo de perder o controle. A Paz só tem espaço quando eu conseguir sair do meu “mundinho fechado” (... onde sou incrível) e permitir me encontrar com o mundo da outra pessoa, onde não sou tão bom assim, e nem ela é perfeita no meu espaço, mas mesmo assim quando os mundos se equilibram há entendimento. A Paz só tem espaço quando o judeu aprender a enxergar Javé em Alá... e quando o muçulmano aceitar o cristão, e o cristão aceitar o pagão como a mesma maravilhosa criatura divina e pecadora que ele próprio é... é na mistura que se faz a Paz.

Jorge Carlos Rodrigues de Freitas - RG 28.420.146-7