Bagdá - Cinco funcionários da presidência iraquiana foram feridos por uma bomba acionada por controle remoto numa estrada a 70 quilômetros ao Sul de Kirkuk. O presidente Jalal Talabani não estava no comboio, disse o coronel Abbas al Bayati, porta-voz da polícia. A bomba explodiu quando os veículos da presidência se aproximavam da cidade de Tuz Khurmatu, na madrugada de ontem.
O grupo voltava para Bagdá, procedente do Curdistão. O presidente Talabani é curdo. O ato traz a marca de autoria da insurgência sunita, ainda inconformada com a hegemonia política dos curdos e xiitas, reiterada pelas eleições de 15 de dezembro, cujos resultados foram anunciados anteontem.
O presidente iraquiano raramente utiliza a malha rodoviária para seus deslocamentos dentro do país. Prefere viajar de avião ou helicóptero, em razão da insegurança das estradas. É provável, assim, que os insurgentes não visassem diretamente Talabani. Mas sabiam que dariam uma prova de força ao atingir funcionários e assessores, de graduação e identidade não reveladas pelo governo.
Outra bomba numa rodovia matou um civil britânico, informou anteontem, em Londres, o Ministério das Relações Exteriores. Stephen Enwright, 30 anos, trabalhava para uma empresa de segurança, e sua morte ocorreu na quinta-feira. O porta-voz britânico não informou o local do atentado. Num dia coalhado por incidentes, outra bomba na beira de estrada matou um civil nas imediações de Karbala.
Um carro-bomba explodiu ao meio-dia num mercado do bairro de Shaab, em Bagdá. A explosão feriu quatro pessoas e destruiu uma loja. Atiradores matavam pouco depois um major do Exército iraquiano, Raid Maamoun, seu filho e seu guarda-costas.
O ataque ocorreu em Qadisiyah, 50 quilômetros ao sul de Tirkit. Um outro militar, o major Haider Mohammed, foi morto ao sair de sua casa em Diwaniyah, cidade ao sul da capital. Ainda em Bagdá, três açougueiros foram mortos por rajadas de metralhadora disparadas de um automóvel.
Apelo por jornalista
Um grupo de representantes da comunidade muçulmana nos Estados Unidos chegou anteontem a Bagdá para participar das gestões para libertar a jornalista Jill Carroll, do “Christian Science Monitor”, seqüestrada em 7 de janeiro. Os seqüestradores ameaçaram matá-la anteontem à noite caso o comando americano no Iraque não libertasse todas as mulheres iraquianas presas sob suspeita de vínculos com a insurgência.
Poema da Al-Qaeda
A voz do número dois na hierarquia da Al-Qaeda, Ayman al Zawahiri, apareceu em gravação arquivada anteontem num site de extremistas islâmicos. Na mensagem de 17 minutos, o adjunto de Osama bin Laden se limita a recitar poemas que exaltam “a guerra contra os infiéis” e não menciona a operação aérea comandada pela CIA no último dia 13, em Damadola, Paquistão, que destruiu um domicílio no qual membros da direção do grupo terrorista, entre eles o próprio Zawahiri, estariam participando de um jantar.