10 de julho de 2026
Geral

Rapaz adotado em Bauru encontra a mãe biológica

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A busca de Leandro Moncorvo Soares por sua mãe biológica terminou ontem, 15 dias após ter procurado o Jornal da Cidade para contar a sua história: ele nasceu na Maternidade Santa Isabel, em Bauru, e foi adotado logo em seguida. Na quarta-feira, ele e sua mãe, Concetta Lourdes Pennetta, se falaram pela primeira vez e ontem trocaram os primeiros abraços, no terminal rodoviário Tietê, em São Paulo.

Depois do primeiro contato feito pelo telefone na quarta-feira, os dois estavam ansiosos. Na sexta-feira, Concetta adiantava os preparativos para o almoço do sábado, o primeiro que cozinhava para o filho. “Minha vida inteira eu pensava fazer isso: o almoço para o meu filho. Cheguei a pensar que nunca conseguiria”, emociona-se. Já Soares, comemorou com a esposa e com os amigos do trabalho. “Ainda não caiu a ficha”, conta.

Soares sempre soube que tinha sido adotado, mas a história que a família que o acolheu contava era que sua mãe biológica havia morrido no parto. Aos 15 anos, escutou comentários de que ele havia sido deixado pela mãe, mas por conta da fragilidade da avó adotiva, nunca questionou a família. No final do ano passado tomou coragem, e incentivado por Bianca, sua esposa, passou a procurar a verdade.

A tia adotiva, que no dia do nascimento de Soares, 13 de março de 1979, trabalhava na Maternidade Santa Isabel, ao saber da publicação da história, contou o que de fato acontecera: sua mãe era da Capital e estava de passagem por Bauru, quando entrou em trabalho de parto e, como não tinha condições de criar o menino, o entregou para ela, que depois o levou para a cunhada. A tia informou também o nome e o bairro onde a mãe biológica de Soares moraria. Com esses dados, ele passou a procurar a mãe em São Paulo.

Como a grafia do nome que a tia passou estava incorreta, não encontraram nenhuma informação na lista telefônica da cidade. Então a esposa de Soares enviou a história do marido para uma rádio. “Na quarta-feira, às 6h, eles transmitiram a história e no mesmo dia, ela ligou para ele”, lembra Bianca. A família Pennetta é muito conhecida no Ipiranga, bairro onde moram. Quem ouviu a notícia, contou aos familiares que logo procuraram a rádio para conseguir o número do telefone de Soares no Rio de Janeiro.

Fotografia

“Quando vi a foto dele, quase caí da cadeira. Ele é muito parecido comigo, mas o jeito do cabelo é igual ao do meu pai”, conta Concetta, mãe de Soares. A foto do filho foi impressa e afixada num local bem à vista. “Desde a quarta-feira, a gente se fala até cinco vezes no dia”, enumera.

Logo nos primeiros contatos, Soares descobriu não só a mãe, mas uma família inteira: Tios, primos e avós. Ele revelou que estava preparado para um longa busca. “Achei que o trabalho seria maior. E ainda encontrei uma família inteira. Graças à Internet, viu fotos das tias e primos antes do encontro de ontem. “É muita alegria”, conta. Ângela Pennetta, uma das tias de Soares, comemora. “Ele é o meu primeiro sobrinho. E é bem parecido com a mãe”, aponta.

Soares e sua esposa pegaram um ônibus no Rio de Janeiro e chegaram no início da manhã de ontem a capital paulista. A previsão era ficar até hoje com a família. “Só um final de semana é muito pouco, mas agora, manteremos o contato”, garante.