10 de julho de 2026
Regional

Pela 1ª vez, Agudos registra leishmaniose

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Agudos – A Secretaria Municipal de Saúde confirmou dois casos de leishmaniose em cães, em Agudos (18 quilômetros de Bauru).

Os dois cachorros, um encontrado no bairro Santa Cândida e o outro no Jardim Cruzeiro, foram sacrificados assim que saiu o resultado positivo da doença. Estes são os primeiros casos confirmados de leishmaniose em cães, registrados na cidade. A Secretaria Municipal de Saúde iniciou ontem a campanha de orientação aos moradores do bairro, por meio de folhetos. E ainda esta semana começa a desenvolver um inquérito epidemiológico no local.

A médica veterinária Priscila Santana Samante, contratada pela secretaria para cuidar exclusivamente do caso, explica que o inquérito epidemiológico implica em realizar um trabalho de investigação preventiva num raio de 200 metros em torno dos locais onde foram encontrados os animais.

“Através da Superintendência de Combate a Endemias (Sucen), nós vamos fazer um bloqueio de 200 metros em cada região onde teve um animal positivo. Nestes 200 metros, nós vamos atingir no mínimo 100 cachorros fazendo a coleta para o exame e ver se vamos encontrar mais algum (caso) positivo”, diz.

Priscila lembra que os proprietários dos dois animais doentes receberam a visita de uma enfermeira da secretaria para orientá-los sobre os sintomas da doença. Um médico foi disponibilizado para atender, se necessário, os casos suspeitos de pessoas com a doença.

“Onde teve os (casos) positivos, a enfermeira aqui da Saúde já foi fazer uma visita nas casas e conversou com as pessoas explicando as sintomatologias e tem um médico aqui que vai atender somente os casos de suspeita de leishmaniose. Então, essas pessoas já estão avisadas que se sentirem os sintomas (febre, dor abdominal) devem procurar a enfermeira e o médico aqui responsável”, conta.

A vacina preventiva da doença em animais não é disponibilizada gratuitamente e, de acordo com a veterinária, tem um custo muito alto. “Essa vacina nenhum município fornece porque é uma vacina de custo muito alto. Então, ela tem que ser procurada em clínicas particulares e ela é legalizada pela Secretaria do Meio Ambiente e da Agricultura. É uma vacina importada de alta qualidade, mas cada um tem que pagar de seu bolso”, lamenta.

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Sintomas

A leishmaniose é uma doença infecto-contagiosa que pode ser transmitida dos animais aos homens e vice-versa. A doença é transmitida pelo mosquito-palha e pode matar.

Em cães, quando a doença está mais evoluída, podem aparecer os seguintes sinais clínicos: emagrecimento, apatia, queda de pêlos, vômito, febre irregular, lacrimejamento (conjuntivite), fezes sanguinolentas, crescimento exagerado das unhas, descamação e feridas na pele (comuns no focinho, orelhas, caudas e patas).

Em humanos, os sintomas da doença são: febre irregular por muito tempo, crescimento da barriga, anemia, palidez, emagrecimento, fraqueza, problemas respiratórios (tosse seca), diarréia, e em casos mais graves, sangramento na boca e intestino. Como se trata de uma doença com um período longo de incubação, a pessoa picada pelo mosquito infectado pelo protozoário leishmannia pode demorar até dois anos para apresentar os sintomas.

Em Bauru, só no ano passado foram registrados 28 casos em humanos e quatro mortes, o que colocou a cidade no primeiro lugar do ranking de leishmaniose no Estado de São Paulo.

Da Redação