08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Cidades limpas


| Tempo de leitura: 4 min

A sociedade brasileira convive com vários problemas insolúveis e mais um grave e secular é a sujeira das cidades deste país. Este seria resolvido facilmente com a participação e um pouco de civilidade da população brasileira. Jogar lixo nas vias públicas está arraigado na nossa cultura. Com qualquer nível de escolaridade e independente de classe social quase toda pessoa joga “bitucas” de cigarro, pequenos papéis de balas, saquinhos de bolacha nas vias públicas e colocam a responsabilidade nas outras sobre a sujeira. Deveriam ensinar os filhos à não jogarem lixo nas ruas. Seria ensinar a serem apenas civilizados.

São Paulo possui 13 milhões de habitantes, se cada um joga uma “bituquinha” de cigarro perfaz toneladas de lixo diariamente.

As empresas deveriam elaborar projetos e desenvolver campanhas educativas. Bancos e lojas poderiam limpar as calçadas, realizar palestras para funcionários e, também, deveriam colocar frases como nunca jogue lixo nas ruas, nas sacolinhas, nos saquinhos e nos tíquetes fiscais. Poucas fazem alguma coisa e todas culpam a prefeitura de cada cidade, que paga caro á exploração de empresas privadas. Há vários meios de manter a cidade conservada. Se não existirem a consciência e a responsabilidade de cada cidadão, torna - se impossível alcançar essa meta.

As escolas precisam ter uma educação num sentido mais amplo. Uma criança não poderia sair delas jogando lixo nas ruas e cuspindo no chão. Limpar, tão-somente, as ruas dia-a-dia não resolve! Precisa de campanha permanente educando a população sobre a sujeira que ela mesma causa, especialmente cobrar dos comerciantes que mantivessem os seus estabelecimentos limpos, inclusive a rua junto à calçada, em respeito aos seus clientes; iniciativa que serviria a todos os proprietários de imóveis. Também as pessoas só deveriam comprar em lojas totalmente limpas. A imprensa tem muita influência junto à população e deveria contribuir mais, valorando com muita ênfase a educação do povo. A reciclagem faz parte dessa educação geral, mas depende da iniciativa e de um pouco de inteligência e capacidade de gerenciar e uma dose de consciência sobre o meio-ambiente pelos responsáveis por condomínios, empresas, universidades, sindicatos, igrejas, e pela população em geral.

Pouca gente sabe, mas em São Paulo, quem joga um palito de fósforo na rua pode pagar uma multa elevada. Tão alta que serve de justificativa para não ser aplicada. Só que lei 10315/87 não vai além do papel, assim como muitas outras. As punições também. Muitas cidades têm suas leis que servem apenas para justificar o salário dos inúteis vereadores da localidade. Ninguém é multado. Quando deveriam, preferem pagar propina, para depois culparem apenas os corruptores.

Muitas doenças são causadas pelos insetos originados da sujeira. Mas a mesma população, que completa de razão condena a prefeitura de sua cidade pela sujeira, joga o colchão no rio e todos os entulhos da reforma da casa no primeiro terreno baldio que encontra. Atribuir a sujeira à pobreza é um equívoco cometido pela grande maioria. Poder-se-ia viver num país pobre, porém limpo!

Por menor que seja o objeto, nunca o atire na rua. Quando você suja a cidade está contribuindo para entupir bueiros que são os principais causadores de enchentes, que matam pessoas a cada chuva mais intensa. Outra cena que já está banalizada são pessoas morrerem soterradas. Pense nisso!

Nas localidades onde faltam leis, deveriam ser criadas com punições rigorosas. E onde existem normas legais, com muito rigor, deveriam ser aplicadas as multas. Junto à cultura da sujeira, o brasileiro traz consigo a cultura da punição.

Só a possibilidade do “castigo” financeiro faz mudar esse comportamento incorreto e anacrônico. É por isso que esse problema se eterniza como vários outros. Exemplifica-se com o analfabetismo e a fome das crianças, que seriam extintos apenas se o Ministério Público fosse capaz de exigir na Justiça o cumprimento dos artigos 244 e 246 do Código Penal pelos pais ou responsável. Se a obrigação de colocar as crianças na escola viesse sendo cumprida, o Brasil estaria livre do analfabetismo, já que a Lei é de 1940. Deixar criança fora da escola configura crime, jogar lixo na rua deveria ser contravenção. As multas precisariam ser rigorosamente aplicadas. Todos os munícipes deveriam cobrar das Prefeituras a implementação de reciclagem, semelhante ao do Conjunto Nacional da avenida Paulista/SP.

As prefeituras deveriam colocar um caro dos coletores para retirar somente o material reciclado. Nas cidades pequenas, esse carro deveria passar uma vez por mês pelos vilarejos e povoados. O material recolhido deveria ser encaminhado para as usinas de compostagem. O objetivo desse argumento não seria atacar gratuitamente as pessoas, mas de buscar até alcançar a solução do problema. Bastaria que o cidadão tivesse o senso crítico mais aguçado e se sentisse mais responsável pela manutenção das cidades limpas.

Durante pelo menos uma semana, seria necessário reciclar todo material, lavar e deixar secar. Isso forçaria a constatação de quanto material se joga fora desnecessariamente. Para os menores, como sacos plásticos finos, pequenos papéis deveriam ser guardados numa caixa de sapato. Depois, entregar nos num ponto de coleta seletiva. Todo esse processo não deve levar em conta somente o aspecto financeiro, como tem sido a abordagem ultimamente. Deve-se considerar os benefícios ao meio ambiente e através de comportamento civilizado da sociedade.

Pedro Cardoso da Costa