Washington - O presidente George W. Bush voltou ontem a defender a prática de escutas telefônicas efetuadas desde 2002, sem permissão judicial, afirmando ter sido autorizado pelo Congresso a fazer de tudo para proteger os americanos contra ataques terroristas. Com suas novas declarações, ele lança uma contra-ofensiva para neutralizar os danos que poderá sofrer com as audiências que o Congresso marcou sobre o tema, a partir de 6 de fevereiro.
É previsível que congressistas liberais, parte dos republicanos e defensores dos direitos civis critiquem em termos duros o que já têm qualificado de cerceamento às liberdades por meio da espionagem de cidadãos americanos.
As escutas são praticadas pela Agência de Segurança Nacional, como parte de um programa de monitoramento antiterrorista. Em discurso na Universidade Estadual de Kansas, Bush rejeitou a acusação de estar “desobedecendo à lei”, já que a Casa Branca envia periodicamente relatos ao Congresso, com informações obtidas por meio dessa forma de monitoramento eletrônico.
Voltou a argumentar que as escutas têm por alvo conversas telefônicas mantidas com interlocutores em outros países, qualificados pelo presidente de “membros da Al-Qaeda e de outras organizações a ela associadas”. “Uma das formas de proteger os americanos é compreender as intenções dos inimigos”, afirmou.
Pesquisa da Associated Press/Ipsos revelou no início de janeiro que 56% dos americanos desaprovavam as escutas telefônicas efetuadas sem a autorização de um tribunal competente.
Horas antes do discurso de Bush, o diretor de comunicações da Casa Branca, Dan Bartlett, afirmou à rede de televisão ABC que as escutas telefônicas prosseguirão e que elas são parte das atribuições do presidente americano. Qualificou a iniciativa de “vital” e disse que o Congresso foi consultado sobre o assunto.
Contato com lobbista
A revista americana “Time” reportou, anteontem, a existência de fotografias de George W. Bush, junto do lobista Jack Abramoff. O presidente Bush havia declarado que não o conhecia e que não se lembrava de ter se encontrado com Abramoff, que está sendo processado por corrupção e concordou em colaborar com investigações da Promotoria sobre atividades ilegais de lobistas nos EUA.
Embora a “Time” não tenha publicado tais fotografias, sua existência foi confirmada por outra revista, a “Washingtonian”. Segundo a “Time”, as fotos retratam recepções formais ocorridas na Casa Branca. Um dos principais assessores de Bush afirmou ontem, em um programa de TV, que as fotos do presidente com Abramoff são só uma coincidência. “Ele (Bush) não tem uma relação pessoal com Abramoff”, disse Dan Bartlett.