Nem fantasia de pierrô nem de colombina. O que começa a movimentar as lojas de Bauru para este Carnaval, que não terá desfiles no Sambódromo, é a procura por adereços. Para muitos comerciantes, as vendas não devem crescer muito, mesmo na véspera dos quatro dias de folia. O interesse maior, pelo menos por ora, é por itens que possam dar uma “cara nova” aos velhos trajes.
Faltando exatamente um mês para o Carnaval, as mercadorias começam a chegar às lojas especializadas em roupas e acessórios típicos de Carnaval, porém o mesmo não ocorre com os consumidores. As vitrines estampam fantasias dos mais variados modelos e para todos os gostos, além de oferecerem apetrechos que, pelo menos há alguns anos, não podiam faltar para brincar o Carnaval.
Perucas, nariz de palhaço, apitos, confetes, serpentinas e tudo mais o que a imaginação e a euforia permitem já estão à disposição no comércio. No entanto, só faltam as visitas dos foliões.
Muitos lojistas atribuem a queda no setor aos muitos anos que Bauru não realiza o tradicional Carnaval de rua, com blocos e escolas de samba no Sambódromo. “Antes, quando tinha desfile na cidade, eu vendia 1.000% mais, sem exagero. Hoje, são poucas as pessoas que procuram por fantasias, um dos nossos carros-chefes de vendas”, diz Dulce de Oliveira, atendente de uma loja especializada em adereços carnavalescos.
Segundo ela, a estimativa da gerência do estabelecimento é de que as vendas neste ano caiam, em média, 50% em relação às de 2005. Os raros clientes que ousam procurar por acessórios carnavalescos, informa Oliveira, buscam, principalmente, materiais como pedrarias e lantejoulas, que possam servir para a reforma de fantasias antigas ou à confecção de trajes mais simples.
“Trabalhamos com adereços carnavalescos o ano todo. Entretanto, as vendas são maiores quando ocorre alguma festa à fantasia na cidade ou na região. O pessoal leva de tudo um pouco, inclusive máscaras, tiaras, tranças, chapéus, chicotes”, completa Oliveira.
Em outro estabelecimento de Bauru, também especializado em oferecer produtos de Carnaval, a situação é a mesma. O movimento de consumidores ainda é fraco, mesmo com os apetrechos já estando à venda. Quando há procura por acessórios, a finalidade é reformar fantasias.
“Quem está procurando, leva miçangas, pedras brilhantes, cordões de lantejoulas e outros tipos de enfeites para renovar fantasias usadas dos anos passados. Ainda não temos recebido encomendas de trajes. Muitas mães já estão reformando as fantasias das crianças e mulheres mais jovens criando um novo estilo para o Carnaval. Mas, até agora, ninguém comprou fantasia”, comenta a proprietária da loja, Soraya Soubhia.
A comerciante espera que as vendas aqueçam em fevereiro, porém acredita que o faturamento seja igual ao do ano passado, quando não atingiram a meta estimada. “Por enquanto, as pessoas estão pagando IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores), IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), ainda não estão pensando em Carnaval. Mesmo assim, quando entrarem no clima, acredito que vão optar pela confecção e reforma da própria fantasia. Para pular em clube, um traje simples, com um pouco de brilho, basta e satisfaz”, observa a comerciante.
O Carnaval deste ano ocorre entre os dias 25 e 28 de fevereiro.
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No clima
Dona Dalva Mariza Zambonaro, cuja idade não quis revelar, já está em clima de Carnaval. Ela foi flagrada pela reportagem do JC numa loja de fantasias em Bauru escolhendo algumas para pular três noites de folia. Indecisa em meio a uma montanha de trajes, conseguiu chegar a uma decisão.
Para a primeira noite, escolheu uma fantasia de cancã, traje de dançarina francesa. Na segunda noite vai vestir-se de odalisca e na terceira, de egípcia. Na última noite, pretende usar vestimenta de cigana, que ela já tem.
“Tenho paixão por brilho, por isso, já resolvi escolher as roupas para a folia deste ano. Tenho medo de não ter tanta variedade como hoje e ficar sem alguma coisa que eu realmente goste e me sinta bem. Vou brincar a primeira noite na Hípica (Clube Hípica) e o restante no Clube da Vovó”, diz Zambonaro.
A aposentada também comentou que vai gastar R$ 200,00 com o aluguel das três fantasias.