Antônio Ângelo Ciocca não é mais delegado seccional de Bauru. Sua destituição foi comunicada no final da tarde de ontem pelo diretor do Departamento de Polícia Judiciária-4 (Deinter-4), Roberto de Mello Annibal. O desfecho confirma o racha instalado na Polícia Civil, em Bauru, que, apesar de ainda velado, foi revelado com exclusividade pelo JC, na semana passada.
O substituto de Ciocca - no cargo há seis anos e meio, desde que veio de Campinas - ainda não foi anunciado. Tendências indicam como principal candidato o coordenador das Unidades de Inteligência do Deinter-4, Doniseti José Pinezi. Caso ele seja confirmado como novo seccional, a hipótese de outras substituições, inclusive em delegacias especializadas, ganha força.
Braço-direito do atual diretor do Deinter-4, Pinezi também está à frente do Grupo Especial Anti-Seqüestro, serviço delegado pelo antecessor de Annibal à Delegacia de Investigações Gerais (DIG). O trabalho voltou a ser subordinado diretamente ao Deinter-4, conforme seria habitual. As mudanças, que envolveram também trocas de delegados e outros servidores, provocaram inquietações.
O “clima de suspense” chegou ao delegado-geral da Polícia Civil, Marco Antônio Desgualdo, que há uma semana informou à reportagem desconhecer eventuais pedidos de substituição do delegado seccional. Na ocasião, Annibal também havia informado não ter encaminhado ao comando-geral da Polícia Civil representação solicitando a substituição.
Estopim
No dia anterior, o JC expunha o clima de divergência entre o seccional e o Deinter-4, a partir de uma fiscalização a desmanches realizada em Bauru, que contou com o apoio Policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e da 3.ª Divisão de Investigações sobre Furto e Roubo de Veículos e Cargas (Divecar), de São Paulo.
Participaram da operação outros dez policiais civis do Deinter-4, diretamente ligados à diretoria. Os demais, inclusive de delegacias especializadas de Bauru, ficaram de fora. Questionado sobre a não participação dos policiais civis das delegacias, Annibal afirmou que se eles tivessem feito as fiscalizações teriam verificado que alguns dos seis estabelecimentos vistoriados estavam sem alvará, parte deles desde 2003.
Para o diretor do Deinter-4, o resultado da blitz foi suficiente para demonstrar, no mínimo, ineficiência nas fiscalizações, cuja competência seria da Seccional e não da DIG, como ocorria anteriormente em Bauru. Desde então, Annibal não tem poupado críticas, mesmo sutis, à atuação da Polícia Civil na cidade. Já deixou claro, por exemplo, que índice de esclarecimento dos crimes (de 13%) está aquém do desejável.
Ontem à noite, o diretor do Deinter-4, que tomou posse em setembro do ano passado, não quis comentar a destituição do delegado seccional. Já Ciocca não foi encontrado pela reportagem.