10 de julho de 2026
Cultura

Mecânica dos Solos faz viagem pela MPB

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Com um pé no jazz e outro na MPB, o grupo Mecânica de Solos, de Araraquara, apresenta uma coletânea de seu último projeto, “Movimentos da Música Brasileira”, hoje à noite na área de convivência do Serviço Social do Comércio (Sesc). Os arranjos próprios, improvisações inspiradas e repertório que vai de Ary Barroso e Noel Rosa a Lulu Santos e Skank, passando pela bossa nova, tropicália e pelos mineiros do Clube da Esquina, dão o tom do show.

De acordo com Zé Henrique Martiniano, responsável pelas guitarras e violões do grupo, o projeto “Movimentos” foi uma idéia da própria banda para classificar os principais momentos da música popular brasileira. A iniciativa rendeu cinco shows especiais e temáticos: O Choro e a Época de Ouro, com compositores como Noel Rosa, Ary Barroso e contemporâneos das décadas de 1930, 40 e 50; Bossa de Cara Nova, com os principais expoentes do gênero em arranjos diferentes do usual; MPM - Música Popular Moderna, com as canções que nasceram nos festivais da década de 1960 e os movimentos característicos da época, como a Tropicália; Clube da Esquina, com as músicas e os compositores de Minas Gerais; e Música Pop Brasileira, que inclui especialmente a geração do soul, do pop e do rock, com ênfase aos anos 1980 e 1990.

“No show de Bauru, faremos uma mostra geral dos vários momentos, uma mescla de todos os movimentos, apresentando as músicas, contando histórias e as características de cada período”, afirma o guitarrista, que é acompanhado na Mecânica dos Solos por Adriana Gennari (voz), Otávio Júnior (teclados), Otávio Gali (contrabaixo acústico) e Marcos Froco (bateria). Ele destaca que a apresentação não terá ordem cronológica. “Não fazemos em ordem porque a dinâmica do show não funcionaria bem. Um bom show tem de começar bem e ir crescendo, depois ter uma parte mais leve para depois voltar a crescer no final”, explica o músico.

Martiniano destaca que os cinco integrantes da banda têm formação jazzística, influência que fica clara nos arranjos, no formato e especialmente nas improvisações em suas apresentações. “Temos essa formação da improvisação, de trabalhar com harmonias complexas. Curtimos mudar alguma coisa na harmonia original, deixar algumas coisas mais sofisticadas. Usamos o baixo acústico e bateria com vassourinha, que não são tão comuns, é diferente da MPB que o pessoal toca em barzinhos”, frisa.

Além do repertório selecionado dos especiais, a banda deve apresentar algumas músicas próprias de seu primeiro CD, “Arqueólogo das Estrelas”. No momento, a Mecânica dos Solos trabalha na mixagem de seu segundo álbum, que contou com participação de Leila Pinheiro e Roberto Menescal nas gravações. O CD deve ser lançado ainda neste ano.

E o nome do grupo? “Sou engenheiro e uma das matérias da faculdade que eu menos gostava era a mecânica dos solos, ciência que estuda o comportamento do solo, da terra. Estudar a técnica para tocar instrumentos e improvisar, especialmente no jazz, também é a mecânica dos solos, por isso batizamos a banda assim”, brinca o músico.

• Serviço

Show com a banda Mecânica dos Solos, hoje a partir das 21h na área de convivência do Sesc. Ingressos a R$ 8,00 e R$ 4,00 (para matriculados, estudantes com comprovante e maiores de 60 anos). Informações: (14) 3235-1751.