08 de julho de 2026
Nacional

Mínimo sobe para R$ 350,00 em abril

Por Kennedy Alencar e Ana Paula Ribeiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia, confirmou ontem que o salário mínimo terá um reajuste de R$ 300,00 para R$ 350,00 a partir de abril e que a tabela do Imposto de Renda (IR) pessoas físicas será reajustada em 8%. Chinaglia participou à tarde de reunião de líderes partidários com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Prevaleceram os critérios políticos para Lula optar pelo aumento do mínimo de R$ 300,00 para R$ 350,00 em abril, e não em maio como acontece todos os anos.

Durante a reunião com os líderes, o presidente propôs o novo valor e pediu para que os congressistas encontrem um espaço para acomodar o impacto de R$ 5,6 bilhões que sua decisão terá nas contas da União e que não estava previsto no Orçamento de 2006. Ao final da reunião, Chinaglia afirmou que o governo já levou em conta esse impacto e também a capacidade de pagamento dos municípios antes de decidir sobre esse aumento de R$ 50,00.

Após a reunião com os líderes, o presidente conversou com sindicalistas e com o ministro do Trabalho Luiz Marinho para pedir apoio à decisão. Lula disse que não pode reajustar a tabela do IR em 10%, como pediam as centrais sindicais, para não inviabilizar a antecipação do reajuste do mínimo para abril. Lula avalia que as duas medidas terão impacto positivo junto à opinião pública no ano em que pretende disputar a reeleição. Chinaglia lembrou que durante os quatro anos do governo Lula o valor do salário mínimo terá subido o equivalente a 1,3 cesta básica para 2,2 cestas básicas.

Apesar de o reajuste do mínimo deste ano, de 16,7%, ser bem superior à inflação de 5,05% acumulada nos últimos doze meses pelo INPC (o índice que reajusta salários da maior parte das categorias), o valor definido não correspondeu às expectativas iniciais dos sindicalistas e só pode ser aceito após uma longa queda-de-braço.

As centrais sindicais começaram as negociações com a reivindicação de um mínimo de R$ 400,00 e a correção da tabela em 13%. Depois passaram a aceitar um mínimo de R$ 360,00 a partir de maio ou de R$ 350,00 em abril, com um reajuste do IR de 10%. Na última quinta-feira, durante longa negociação com o ministro Luiz Marinho, parte dos sindicalistas já falava abertamente em aceitar a correção do IR em 8%.

Aumento real

Em termos reais (já descontada a inflação), o reajuste significa um aumento de 13%, o maior em dez anos. Ele só é menor do que o dado em maio de 1995, quando o salário mínimo passou para R$ 100,00. No acumulado entre abril de 2002 e abril de 2006, o reajuste real é de 25,3% e fica acima do registrado em períodos anteriores: 20,6% de maio de 1998 a abril de 2002 e 20,5% de setembro de 1994 a maio de 1998. O Ministério do Trabalho também divulgou que o reajuste de R$ 50,00 proposto neste ano beneficiará cerca de 40 milhões de trabalhadores, aposentados e pensionistas e injeta R$ 15 bilhões na massa salarial de 2006.

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Economia receberá R$ 1,25 bi

São Paulo - O reajuste do salário mínimo de R$ 300,00 para R$ 350,00 a partir de abril deve injetar mensalmente R$ 1,25 bilhão na economia, de acordo com estimativa da Federação do Comercio do Estado de São Paulo (Fecomercio).

O Brasil tem quase 15 milhões de pensionistas e aposentados e outros 10 milhões de trabalhadores que recebem até um salário mínimo e serão diretamente beneficiados. De acordo com a federação, esta composição deve produzir um aumento de despesas com a Previdência da ordem de R$ 750 milhões por mês.

A Fecomercio não demonstra otimismo em relação ao impacto do aumento do mínimo sobre o consumo. Segundo a federação, caso todo esse volume de recursos seja canalizado para o consumo, o impacto seria de menos de 3% no valor total mensal de comércio que é de cerca de R$ 45 bilhões.

Os economistas da Fecomercio avaliam que parcela significativa dos recursos do novo mínimo será usada para quitar pendências financeiras, uma vez que o maior nível de endividamento se encontra entre as pessoas que recebem baixos salários.

Folhapress