08 de julho de 2026
Turismo

Viagem à Itália

Dulce Turtelli*
| Tempo de leitura: 7 min

Chegamos a Roma no dia 19 de outubro de 2005, em um vôo da Ibéria com conexão em Madri. Com carro alugado (pela Internet), partimos do aeroporto de Roma para a primeira etapa de nossa viagem: L’Aquila.

É uma cidade medieval onde tudo nos surpreende, convivendo com o passado remoto, encontra-se nas montanhas que cercam a cidade um dos mais modernos laboratórios, no campo da física, para estudar explosões de estrelas! Participa dessa experiência o Departamento de Raios Cósmicos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Nas proximidades do laboratório, na aldeia de Paganica, um hotel com arquitetura renascentista chamado Villa Dragonetti. Ainda possui os afrescos originais, os móveis são de época. O tratamento aos hóspedes é um luxo só! É tranqüilo e confortável.

Depois de três dias nesse hotel, onde estavam também os físicos que trabalham no Laboratório do Gran Sasso (entre eles o brasileiro Ernesto Kemp, ex-orientado de meu filho Armando), partimos pela manhã para conhecer um aparte dos Apeninos, ao sopé do pico do Gran Sasso. Sentimos como somos pequenos diante de tanta grandiosidade. Uma visão inesquecível!

A vegetação que cobre toda a montanha forma um tapete colorido, belo, belo! Com as folhas todas já com as cores do outono, em diversos tons: verde amarelado, amarelo e até vermelho. É para guardar na memória tanta beleza! Continuando a viagem, passamos por vilarejos nas colinas ou no sopé das montanhas, pastores conduzindo suas ovelhas com seu cajado e seus cães pastores abruceses. Parece que o tempo parou aqui.

O movimento de turistas é intenso em quase toda Itália mesmo nesta época do ano, principalmente alemães.

Villa Adriana

Paramos em Tivoli, para conhecer a Villa Adriana, residência de verão do Imperador Adriano, no século II. É um lugar único em toda a Itália. Era um lugar para o “repouso do guerreiro”, depois das batalhas! O que restou da grandiosidade de uma época de quem soube valorizar o conhecimento e o saber vemos nas ruínas de suas bibliotecas: a grega e a latina. O Imperador Adriano era um grande filósofo.

Seguimos para Roma, onde passamos uma noite, com direito a um capucchino com amigos no Centro da cidade.

Na manhã seguinte, fomos rumo ao Sul: a legendária Sorrento. Deslumbrante vista da sacada do apartamento no Hotel Presidente, no alto das colinas que circundam a cidade. Avistam-se toda a Baia de Sorrento e a Baia de Nápoli, com seus barcos que levam os turistas e a Ilha de Capri. O Vesúvio faz parte da paisagem, vista do hotel. O hotel é um convite ao ócio, com todo o seu conforto e belo visual!

Ruínas de Poseidonia

De Sorrento, fomos para uma visita à pequena cidade de Paestum (40 quilômetros ao Sul de Salerno), onde existem as ruínas da cidade greco-romana fundada mais ou menos em 550 a.C. Chamava-se Poseidonia, em homenagem a Poseidon (Netuno), deus do mar. O museu junto à cidade guarda preciosas relíquias das épocas gregas e romanas, informações obtidas no museu, que conta toda sua história.

Voltamos a Sorrento, de onde partimos para Benevento. Nesta cidade encontra-se o Arco de Trajano, imperador em 99 d.C. Todas as suas vitórias e fatos importantes estão esculpidos em alto relevo no mármore (...não existia história em quadrinhos).

As estradas entre as cidades do Sul são charmosas, com suas curvas circundando as montanhas! Muito verde, há uma exuberante vegetação, nesse país de tão pequena dimensão!

Dentre essas estradas, a mais espetacular é a Costiera Amalfitana, que contorna a costa entre Sorrento a Salerno, passando por Positano e Amalfi. Poucos visitantes se vêem por aqui nesta época do ano.

Em Montesarchio (próximo a Benevento) subimos a montanha para conhecer um castelo do século XIII onde fizemos um piquenique, muito bucólico, naquelas alturas e com a certeza de que ali não retornaremos jamais!

Fomos depois a Cassino, em uma manhã ensolarada, para conhecer a famosa Abadia Beneditina de Montecassino. O tempo a nosso favor, límpido, temperatura agradável. O hotel fica em um ponto estratégico, de onde se contempla o morro de 550 metros com a abadia no topo.

Para subir até lá, há uma estreita estrada, com muitas curvas circundando o morro. A paisagem é deslumbrante. A abadia foi construída no século VI. Nela estão sepultados São Bento e Santa Escolástica. Foi quase totalmente destruída pelos americanos em 1944, durante a II Guerra Mundial, sendo posteriormente restaurada pelo governo italiano. Os americanos suspeitavam, erradamente, que os alemães estavam alojados na abadia com sua artilharia.

Foi uma sensação de medo subir os 55 metros do morro para conhecer a abadia, mas valeu a pena! Do alto, se descortina a cidade de Cassino como se estivéssemos num vôo de avião... Deslumbrante! Um privilégio poder apreciar tanta beleza.

Na abadia, residem os monges beneditinos. A decoração tem um caráter religioso muito rico. No silêncio do templo, ouvem-se as vozes dos jovens monges, entoando o canto gregoriano: que paz transmitem!

De Cassino fomos para Roma. No aeroporto, Armando devolveu o carro alugado. Houve um grande congestionamento na auto-estrada que leva ao Da Vinci. Fomos de trem para o Centro de Roma.

Hotel Casa Valdese, nas imediações do Vaticano. É um hotel confortável e possui regras um tanto específicas. Em uma sala existe um bom estoque de bebidas, entre elas alguns dos melhores vinhos italianos. Os hóspedes se servem à vontade e anotam em um bloco sobre a mesa o seu nome e número do apartamento e o que adquiriram.

No café da manhã, mesas para quatro pessoas. Há o número do apartamento sobre a mesa onde o hóspede deve se acomodar. São 4 andares, sendo o último um amplo terraço com mesinhas e cadeiras para apreciar a cidade, uma leitura ou bate-papo. Foram dois dias revendo os lugares turísticos: Fontana di Trevi, Pantheon, Piazza di Spagna, Vaticano, etc. Ruas cheias de turistas e camelôs asiáticos.

A seguir, fomos de trem visitar amigos nossos que moram em Pisa, Giulio e Carla Bigazzi. Foram nos esperar na estação e com muita insistência nos ofereceram hospedagem em seu apartamento.

Ainda neste dia de chegada fomos até Marina di Pisa, que fica a uns 12 km da cidade. Revimos também a torre inclinada, agora totalmente recuperada depois de mais de 10 anos de reforma. Turistas é que não faltam no local da torre e nas imediações. Pisa está com o número de habitantes diminuindo. Segundo o físico Giulio Bigazzi que mora na cidade desde a década de 60, em 1980 a cidade tinha cerca de 100 mil habitantes e em 2005 tem 80 mil. A universidade de Pisa e a Scuola Normale Superiore são das mais importantes do mundo.

No domingo (chegáramos no sábado), fomos ao Centro, onde fica a praça principal, às margens do Arno. Armando matou as saudades da época em que lá morou!

O almoço foi com o casal Bigazzi, nas montanhas, onde possuem uma pequena casa de pedras, em meio a uma plantação de oliveiras centenárias. Seu irmão e cunhados vieram de Arezzo para ajudar na colheita das azeitonas, que vão se transformar no delicioso azeite de oliva. Gianni e Cristina são os irmãos e Elena e Corrado os cunhados. Desde a idade média se plantam oliveiras nesses montes pisanos.

Nesta época do ano, outono, é o tempo da colheita, antes de o inverno chegar. Colhe-se o feno para alimentar o gado, que ficará confinado e frutas e legumes, que se transformam em conservas para alimentar durante o inverno toda a população.

Quando trafegamos pelas estradas, nota-se a preocupação dos agricultores em fazer a colheita para armazenar, antes que a temperatura baixa os impeça.

Na segunda-feira, dia 31 de outubro, voltamos a Roma de trem e, depois de um rápido lanche, fomos diretamente para o aeroporto, de onde eu voltei ao Brasil. Armando ficou mais uns 15 dias na Itália, em Torino, onde morou e tem muitos amigos, físicos, seus colegas no laboratório.