11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Apesar da febre aftosa, exportação de carne em 2005 bate recorde

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar das previsões pessimistas, o surto de febre aftosa que atingiu o rebanho bovino do Brasil no segundo semestre do ano passado, não provocou grandes perdas no setor. Conforme dados da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec), os frigoríficos fecharam 2005 com faturamento de US$ 3,149 bilhões em exportação. O valor equivale a um crescimento de 22,4% sobre 2004. O volume de exportações também foi recorde. Atingiu 2,390 milhões de toneladas, um crescimento de 18% em relação ao ano anterior, desempenho seguido também pelo Frigorífico Mondelli, de Bauru.

Entretanto, a associação avalia que 2005 poderia ainda ter sido melhor se não fosse a doença. A estimativa é de que US$ 150 milhões em carne deixaram de ser exportados em razão do embargo dos países quando a doença foi confirmada entre o gado brasileiro. Ainda segundo a Abiec, a Rússia foi o maior importador da carne brasileira. Negociou 433 mil toneladas, o que resultou na receita de US$ 525 milhões. Em seguida ficou o Egito, com 215,3 mil toneladas consumidas e um faturamento de US$ 252 milhões.

O gerente-executivo do Mondelli, Rubens Vicente, comenta que o embargo à carne, em outubro do ano passado, quando o frigorífico já registrava crescimento nas exportações na ordem de 18%, não impediu o crescimento no faturamento, assim como em 2004. Os maiores importadores da empresa em 2005, ressalta Vicente, foram Rússia, o Mercado Comum Europeu e Israel.

O frigorífico abastece 40 países em todo o mundo, além de mais de três mil clientes no mercado interno brasileiro, principalmente no Estado de São Paulo. Suas exportações atingem cerca de 1,9 mil toneladas por mês, abatendo 600 bovinos ao dia. “Nosso desempenho até o embargo era de 50% no mercado interno e de 50% na exportação. Hoje, estamos com 80% no mercado interno e 20% no externo. Já mantivemos contatos com nossos clientes no exterior, planejando nossas vendas assim que o embargo for suspenso”, ressalta o gerente.

Expectativa

Sobre as expectativas para 2006, Vicente diz que espera crescimento na receita de até 6%. Porém, a aftosa provocou a demissão de até 10% do quadro de 900 funcionários da empresa. No Frigol, de Lençóis Paulista, a doença também não abalou o desempenho financeiro da empresa. Pelo menos é o que afirma o diretor Djalma Gonzaga de Oliveira. Segundo ele, o faturamento, cujo valor não revelou, foi 20% superior ao obtido em 2004.

“A aftosa causou impacto nas vendas externas só a partir de novembro, o que permitiu que atingíssemos a nossa meta de exportação. Assim que surgiu o problema, como a empresa atua fortemente no mercado interno, direcionamos 10% das exportações para o setor interno. Ainda hoje, exportamos entre 20% e 25% da produção”, explica.

Para o grupo Bertin, segundo sua assessoria de imprensa, as perdas foram mínimas. Para evitar que a produção fosse abalada, a diretoria da empresa reduziu em 50% os abates em Naviraí (MS) e Lins (SP) – onde foram registrados os primeiros focos de aftosa – além de ter redirecionado a produção para outras unidades produtivas no País. Passou a investir em produtos com alto valor agregado, como os negócios de couro, cosmético, dog toy, equipamentos de proteção individual, higiene e limpeza entre outros.

A assessoria, no entanto, não divulgou valores, porém garantiu que a receita obtida no ano passado superou a de 2004. Informou ainda que não houve demissões na empresa em decorrência da aftosa.