Teerã - O Irã afirmou ontem que considera “insuficiente” a proposta russa que visa permitir que o país desenvolva um programa nuclear sem realizar atividades bélicas. A Rússia propôs que o Irã transferisse suas atividades de enriquecimento de urânio para território russo, para certificar os países ocidentais sobre o caráter pacífico de seu programa nuclear.
“A proposta russa não é suficiente para as necessidades do Irã na área de energia nuclear”, afirmou Ali Larijani, representante iraniano para a questão nuclear, ao retornar a Teerã após uma visita à China. Larijani disse, no entanto, que “não se pode dizer que a proposta seja negativa” e que deve continuar a ser negociada.
Em Moscou, onde esteve antes de visitar a China, o representante iraniano alertou que seu país pode lançar seu próprio programa de enriquecimento de urânio caso a questão seja levada ao Conselho de Segurança da ONU. “Qualquer comportamento irracional pode levar a circunstâncias desfavoráveis para a região”, voltou a dizer Larijani ontem, em referência ao eventual encaminhamento da questão ao CS.
Anteontem, a China reiterou sua oposição contrária ao envio da questão iraniana ao CS, dizendo que a medida poderia “complicar” o impasse. O porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Kong Quan, afirmou que o governo chinês se opõe a “sanções arbitrárias” contra o Irã. “Isso poderia complicar a questão”, disse Quan.
A China é um dos membros do CS com poder der veto e poderia barrar uma ação punitiva contra o Irã. O país também faz parte do bloco de governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) - ao lado da Rússia e da Índia - que se reunirá em caráter de emergência no próximo dia 2.
Em Pequim, Larijani disse que seu país e a China “partilham de pontos de vista comuns”. “A China já deixou claro que é contra o encaminhamento da questão iraniana ao CS e contra sanções. Nós partilhamos do mesmo ponto de vista”, afirmou.
O Irã removeu os lacres em seu centro de pesquisas nucleares para o enriquecimento de urânio em 10 de janeiro, anunciando que retomaria a “pesquisa e desenvolvimento” nucleares com urânio, causando imediata reação dos Estados Unidos, da União Européia (UE) e da Rússia.
Segundo a AIEA, o país planeja enriquecer urânio - material com utilidade militar. EUA e UE tinham pedido ao país a interrupção de atividades nucleares de potencial uso bélico. A posição do Irã dificulta ainda mais as relações do país com os Estados Unidos - que acusam o governo iraniano de querer desenvolver armas atômicas de destruição em massa. O Irã nega as acusações, alegando que seu programa nuclear é totalmente pacífico.
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Gesto positivo
Teerã - O Irã aceitou ontem que inspetores das Nações Unidas vistoriem seu antigo encrave militar de Lavizan, no que foi interpretado como um gesto positivo no intricado processo que pode levar aquele país ao Conselho de Segurança em razão de seu controvertido programa nuclear.
A abertura daquelas instalações foi prometida em carta que Teerã enviou a um dos diretores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU encarregado de inspeções. A idéia é detectar indícios de urânio em Lavizan.
A AIEA se reúne no próximo dia 2 para tratar do caso iraniano. Elaborará um documento que deve obter a aprovação unânime dos 35 integrantes de seu Conselho de Governadores.
A Índia, que hesitava em apoiar o documento, negocia com os EUA uma posição mais flexível em troca do prosseguimento da cooperação nuclear entre os dois países. O governo indiano disse ontem considerar viável a proposta de Moscou, pela qual a Rússia e o Irã criariam uma empresa binacional para o enriquecimento de urânio que funcionaria em território russo.