No JC do dia 13/11/2005 (Tribuna do Leitor), coloquei que a coleta de lixo domiciliar era predatória.
Predatória porque mesmo sendo feito coleta seletiva ainda fica muito material que poderia ser reciclado, aumentando ainda mais a vida útil do aterro sanitário. Os materiais sendo prensados nos caminhões-prensas se contaminam, devido à presença de materiais como: baterias de celular, pilhas, lâmpadas fluorescentes, latas com resto de tintas ou solventes e lixos provenientes de oficinas mecânicas. O secretário do Meio Ambiente diz que as pilhas nacionais se adequaram às normas do Conamm - mas as contrabandeadas do Paraguai são um desastre ambiental - motivo este porque a prefeitura deve assumir a coleta e adequar a frota para que o mesmo veículo faça as duas coletas juntas, e assim transportá-lo adequadamente ao aterro.
Com as coletas juntas, para que não haja mais custo de transporte, instala-se a cooperativa dos catadores no local, com toda infra-estrutura. Barracão para classificação e retirada dos materiais contaminados para que o adubo orgânico possa ser usado em hortas comunitárias e praças públicas, o restante é vendido a quem interessar. Construir também um galpão para armazenar os recicláveis com prensa enfardadeira e balança, construir uma creche e refeitório para os cooperados. O dinheiro para realizar estas obras é aquele que a prefeitura iria gastar para fazer a coleta seletiva domiciliar separada e ainda sobra dinheiro. O mais importante é que sem despesa com transporte a cooperativa caminhará por conta própria e o poder público cuida somente da parte social.
O projeto de cooperativa que a Sebes e a Semma querem implantar não sobreviverá. As cooperativas ou associações têm que agregar valores, o transporte é a maior despesa dos cooperados, seguido pela classificação dos materiais de cores e polímeros, porém, elas devem ser livres e soberanas, não podendo coibir os catadores autônomos, pois a Portaria 397 de 9/12/2002, do Ministério do Trabalho e Emprego - Governo Federal, diz: “Catadores de materiais recicláveis catam, selecionam e vendem materiais recicláveis. São profissionais que se organizam de forma autônoma em cooperativas ou associações com diretoria e gestão dos próprios catadores.” Portanto, a prefeitura não pode contemplar apenas uma cooperativa com o lixo reciclável, todos têm o mesmo direito, pois todos somos iguais perante a lei. Por estes motivos é que vou defender um projeto realmente social, sem custo algum aos cooperados e sem a necessidade da prefeitura ficar subsidiando um projeto mal feito, com o dinheiro público.
Portanto, privatizar a coleta do lixo domiciliar e tirar a única possibilidade de inclusão social dos catadores de material reciclável é dar de presente aos grandes empresários. Quanto ao aterro sanitário, compete ao promotor do meio ambiente e à Cetesb exigir aterro de 100%, dentro das normas ambientais, para o bem dos bauruenses. Espero que o prefeito Tuga Angerami não jogue a água do banho com o bebê dentro. (José Missão - RG 3.914.469)