A lógica de Aristóteles é útil para a compreensão do pára-quedismo. Segundo ela, podemos dividir os candidatos em 4 grupos: De dentro e bons - De dentro e ruins - De fora e bons - e De fora e ruins.Se considerarmos como Bons os candidatos honestos, de bom passado, com jeito para coisa e bons de voto e Ruins os opostos, a coisa fica mais simples. O ideal supremo seria sufragar os candidatos do primeiro grupo, haveria um páreo duro entre os dos grupos 2 e 3, e os De fora e Ruins estariam, ou deveriam estar, descartados. Como Bauru talvez ainda seja uma cidade com predominância de forasteiros, os De fora e bons passam a ser considerados
De dentro e bons para eles. Isto seria um pára-quedismo compreensível porque o eleitor gosta de votar em quem conhece. Isso tudo faz aumentar a responsabilidade dos partidos em indicarem bem seus candidatos. Escolhas ruins predispõem mais ao pára-quedismo que as boas. Devemos perder um pouco do puritanismo na análise ao considerar que também os nossos candidatos costumam se vangloriar nas convenções que “possuem muito voto em tal ou qual cidade”, o que se configura como um pára-quedismo às avessas.
Não nos parece congruente considerar o pára-quedismo dos outros reprovável e o nosso elogiável. Essa duplicidade de critérios é normal. Lembremo-nos que o homem-bomba é um terrorista nos Estados Unidos e um herói no Iraque... Afora isso tudo, há um complicador: a psiquiatria ensina que bandeiras, campanhas, folders e comícios são úteis, mas não resolvem por si só os problemas de comportamento. (Rui Bertoti - médico - CRM 1.143)