Apesar da segmentação e concentração de estabelecimentos comerciais de um mesmo ramo ser uma tendência em cidades em desenvolvimento, como Bauru, alguns bairros acabam involuntariamente desenvolvendo um corredor comercial bastante diversificado, proporcionando aos seus moradores uma auto-suficiência que atrai consumidores de outras regiões da cidade e valoriza os imóveis do bairro. De acordo com o arquiteto e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Nilson Ghirardello, este é o caso do Mary Dota e do Jardim América. “As avenidas Nossa Senhora de Fátima e Marcos de Paula Rafael, principalmente por serem vias de acesso a outros bairros, propiciaram um crescimento destas regiões e oferecem quase tudo o que os moradores destes bairros precisam em termos de comércio”.
É verdade. Quem mora próximo a estas avenidas dificilmente não encontra estabelecimentos que possam satisfazer as necessidades básicas da vida cotidiana. O corredor comercial que se formou nestes locais oferece postos de gasolina, lojas de confecções, calçados, materiais de construção, eletrônicos, estofados, papelarias, casas de rações, drogarias, casas lotéricas, despachante, oficinas de carros e bicicletas, bares, lanchonetes, sorveterias e pizzarias.
“A única coisa que falta aqui é médico. Há muito tempo que não vou ao centro da cidade para fazer compras. Até banco que não tinha abriu no aniversário de Bauru (1° de agosto) ano passado”, afirma o funcionário público Paulo Roberto Geraldo, morador do Mary Dota.
Há três anos e meio a empresária Nathália Nispeche instalou uma loja de confecções na avenida Nossa Senhora de Fátima. Com a prosperidade da região e, consequentemente, dos negócios, ela ampliou a loja. “O movimento aqui é muito bom. A acesso fácil e o fato de não haver dificuldade para estacionar são atrativos para o consumidor. Mas a maioria da clientela reside no bairro”, conta.
Segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru, Cássio Carvalho, os comerciantes procuram locais onde fiquem expostos, portanto as vias de acesso a bairros são locais favoráveis para a concentração de estabelecimentos comerciais. “Ruas e avenidas onde o tráfego de veículos e pessoas é intenso acabam naturalmente se tornando corredores comerciais. Um comerciante bem sucedido acaba atraindo outros”, ressalta.
Miscigenação garante vitalidade, diz especialista
A concentração de lojas de um mesmo ramo comercial ajuda a marcar um determinado local, facilitando a busca do consumidor por algum produto. No entanto, de acordo com o chefe do Departamento de Arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Xaides de Sampaio Alves, é preciso ter um certo controle sobre a expansão comercial de uma rua, avenida ou região, pois a efervescência diurna dos locais exclusivamente comerciais traz, em contraposição, uma morte noturna. “Se não houver um controle, a região inicia uma fase de deterioração. Em Bauru já há uma morte noturna do centro. A miscigenação entre comércio e residência garante vitalidade e um certo autocontrole da segurança, uma vez que a região não fica deserta pois é habitada”, afirma.