08 de julho de 2026
Saúde

Em busca da cura para vista cansada

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Encontrar a cura da presbiopia (conhecida também como vista cansada), sinal incontestável da chegada do envelhecimento, ainda é o principal desafio da oftalmologia. Isso acontece porque, quando o assunto é visão, 60% dos brasileiros que têm problemas para enxergar preferem estar bem longe dos óculos.

A presbiopia é uma conseqüência inevitável da idade. Trata-se do endurecimento do cristalino (lente dos olhos, responsável pelo foco da imagem), que, com o passar do tempo, perde sua capacidade de ajuste para focalizar objetos. A pessoa sente dificuldades para ler livros, jornais e bulas de remédio sem o auxílio de óculos.

Há pouco tempo, a única solução para a vista cansada era usar óculos de leitura ou com lentes multifocais. Porém, novas técnicas cirúrgicas têm sido usadas para combater a presbiopia - a mais recente é a cirurgia a laser.

Por meio do laser, a córnea é transformada em uma espécie de lente multifocal, para que a pessoa tenha boa visão a qualquer distância. “Você programa a parte central da córnea para enxergar de perto, e a parte periférica para enxergar de longe’’, explicou o oftalmologista Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, que disponibilizará a cirurgia a partir de fevereiro.

Essa técnica, diz Lottenberg, é pouco invasiva e só não é indicada para quem trabalha com precisão ou dirige muito à noite, pois pode provocar alteração no brilho, ofuscamento da visão e diminuir a sensibilidade ao contraste. “Fora isso, o paciente ficará independente do uso de óculos’’, diz.

O oftalmologista Lêoncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier e diretor do Banco de Olhos de Campinas, concorda que o laser é uma das novas promessas para tratar a presbiopia, mas faz uma ressalva: “Assim como nas outras técnicas existentes, o laser tenta encontrar na córnea a solução para um problema que surgiu no cristalino. A presbiopia não vai chegar ao fim’’.

Outra técnica cirúrgica para dar fim à presbiopia está em estudo há um ano na Grande São Paulo. A pesquisa, que tem como objetivo corrigir a presbiopia por meio de radiofreqüência, é coordenada pelo oftalmologista José Ricardo Rehder, professor da Faculdade de Medicina do ABC.

“Por meio da radiofreqüência, a gente modifica a curvatura da córnea para tornar possível a visão de perto’’, explicou Rehder. Não é possível avaliar os resultados, pois o tempo de acompanhamento dos pacientes ainda é pequeno. E os benefícios são temporários (duram de dois a três anos). “Depois disso, pode haver a necessidade de outra cirurgia.’’

Perguntas e Respostas

1- Quais são os primeiros sinais da presbiopia?

O problema atinge pessoas com mais de 40 anos. No início, a pessoa percebe que precisa aproximar os olhos do papel ou da tela de um computador, por exemplo, para conseguir ler. Tem dificuldade em colocar a linha na agulha, sente dores de cabeça constantes e também sofre de fadiga ocular.

2- Existem formas de evitar o problema?

Não. A presbiopia é um fenômeno inevitável. Com o avançar da idade, o cristalino (espécie de lente dos olhos, responsável pelo foco da imagem) perde elasticidade e o seu poder de acomodação fica reduzido. Os músculos oculares também perdem a elasticidade com o passar do tempo. Cerca de 90% das pessoas, segundo especialistas, terão o problema.

3- Quais são as formas de tratamento?

A pessoa pode usar óculos de leitura, com lentes bifocais ou com lentes multifocais (mais conhecidos como para longe e para perto). Também é possível realizar cirurgia refrativa ou ainda a nova opção de cirurgia a laser.

*Fernanda Bassette