Engana-se quem pensa que a moda contemporânea não tem mais espaço para os alfaiates e costureiras. Os clientes já são menos numerosos do que décadas atrás, mas usar roupas feitas sob medida ainda é preferência de algumas pessoas. Uma frase escrita por um psicólogo, que o alfaiate Mauro Ribeiro Cabogrosso leu há muitos anos e guarda até hoje na memória, define bem o trabalho exercido por ele desde, que tinha 9 anos de idade. “Só o alfaiate pode fazer a embalagem perfeita do corpo humano”. Ele ainda acrescenta: “A roupa encaixa no cliente, é feita especialmente para ele”, define seu trabalho. Em seu fichário com nomes de todos os clientes, estão pessoas que moram na Capital em Brasília e até mesmo na Rússia. Mais do que clientes, o alfaiate considera-os amigos. “Muito do que consegui na vida, inclusive a educação das minhas filhas, foi através da minha profissão”, conta.
O cliente e amigo, Arlindo Savi, acompanha o trabalho do alfaiate há pelo menos 25 anos. Na época, ele precisava de uma calça com zíper, mas só tinha calças com botão. “Fui pedir ajuda para o Mauro (alfaiate). Na época, foi a primeira calça com zíper que ele fez”, conta. Desde então, Savi faz calças, ternos e outras peças de roupas com o alfaiate. “É bem diferente ter uma roupa sob medida do que comprar uma pronta. Não tem nem comparação”, afirma.
O empresário Carlos Afonso Giaxa Canedo prefere roupas sob medida por dois motivos: acha que é mais barato e sente-se mais confortável. As calças, ele faz com o alfaiate Cabogrosso e as camisas, em uma camisaria na Capital. Para ficar elegante, não mede esforços. “Gosto de escolher tudo, desde o tecido ideal até o botão que combina melhor com a roupa”, conta. Sobre o conforto que sente com as roupas confeccionadas por alfaiates, ele ressalta: “Os tecidos das roupas compradas em lojas são sintéticos e ficam muito quentes no verão”, reclama. Em Bauru, ele está acostumado a comprar tecidos de Eduardo Gebara (veja matéria). “Para o meu casamento, comprei o tecido com ele (Gebara). Era um pintex inglês de alta qualidade”, conta.
Também preocupado com a elegância, o proprietário de uma revenda de automóveis de Bauru, Jonas Henrique Ferraz de Campos, gosta de comprar tecidos de qualidade para a confecção de suas roupas. Quando vai à São Paulo, aproveita para passar em uma camisaria que freqüenta há anos. “Gosto de escolher o tecido, a cor, os botões e até o tamanho do bolso das camisas”, diz. Na sua opinião, as roupas sob medida têm mais qualidade. “As minhas (roupas) preferidas são as feitas de linho porque o tecido é mais adequado ao verão”, conta.
Trabalho
Fazer uma roupa sob medida não é tarefa fácil, mas com experiência adquirida o alfaiate Mauro Ribeiro consegue terminar um terno em três dias. A peça mais complicada, segundo ele, é o paletó porque o trabalho é quase artesanal. O preço varia conforme o tecido usado. “Um terno feito com tecido bom pode custar aproximadamente R$ 750,00. Já um feito com tecido razoável, custa em torno de R$ 500,00”, avalia. Segundo ele, o fato de muitas pessoas optarem por comprar ternos industrializados é o preço. “Em uma loja, é possível comprar um terno por R$ 200,00”, estima.
A falta de ‘aprendizes’ preocupa o alfaiate. “Não sei como a profissão irá sobreviver nos próximos anos. Os colegas de profissão são de meia idade ou já idosos. Não conselho um alfaiate novo. Além disso, a legislação impede que garotos possam aprender a profissão”, diz. No caso dele, o trabalho começou aos nove anos de idade, trabalhando sem ganhar. “Quando recebi o primeiro salário, já tinha 14 anos”, conta.