08 de julho de 2026
Política

Prédio da NOB já é de utilidade pública

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Na manhã de ontem, o prefeito Tuga Angerami assinou o decreto que declara de utilidade pública o prédio da Estação Ferroviária. O ato foi realizado na própria estação e contou com a presença de autoridades, empresários, lojistas e ferroviários aposentados. O objetivo do prefeito é restaurar o local para posteriormente transferir para a estação os departamentos da Secretaria Municipal de Educação. O valor do prédio está estimado em 3 milhões e 500 mil reais e as reformas devem ser concretizadas até o final de 2007. “Queremos finalizar as obras ainda nesta gestão. Mas ainda precisamos fechar parcerias com a iniciativa privada”, colocou a secretária municipal de Educação, Ana Maria Daibem.

A solenidade foi aberta com a execução do hino nacional pela Orquestra Municipal de Bauru, sob a regência de Roberto Vergílio Soares. Após a execução, houve declarações do presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, Sérgio Motta, do diretor do Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Henrique Perazzi de Aquino, da titular da pasta da Educação, Ana Maria Daibem, do arquiteto, Jurandyr Bueno Filho, do predidente da Câmara Municipal, Toninho Garmes, e do prefeito Tuga Angerami.

Além do setor administrativo da pasta, o local também abrigará salas de reuniões, salas de aula para jovens e adultos, creche e um espaço educativo permanente nos moldes do projeto Estação Ciência, da Universidade de São Paulo (USP). O prefeito acredita que o feito dará nova vida à área central da cidade.

“Vamos revitalizar o centro de Bauru. O primeiro passo foi retomar as atividades do Automóvel Club e agora demos início ao processo de desapropriação da Estação Central”, disse Tuga, que ainda colocou como objetivo a apropriação da estação da extinta Companhia Paulista de Estradas de Ferro a fim de desenvolver atividades junto à população. “Estamos em negociação com a Rede Ferroviária Federal (detentora do imóvel) e devemos nos reunir na semana que vem no Rio de Janeiro para acelerar o processo”.

O presidente da CDL de Bauru, Sérgio Motta, mostrou-se entusiasmado com a iniciativa do poder público. “Por muito tempo a região da Praça Machado de Melo ficou desvalorizada. Imóveis caíram e o comércio quase parou. Com a reutilização da Estação Central, a cidade não apenas ganha no aspecto histórico, como também no comercial por conta da revitalização do centro”, disse Motta durante a solenidade.

De acordo com Tuga, uma parte do prédio será transformada em creche para atender os filhos de trabalhadores do setor do comércio e de serviços. “Vamos fazer uma creche com um projeto pedagógico, onde as crianças não venham para dormir e sim para aprender”, enfatizou. O prefeito também afirmou que o espaço funcionará durante os três períodos do dia para contemplar a necessidade de apefeiçoamento profissional de muitos pais. “As mães poderão deixar seus filhos na creche durante o trabalho e também à noite para realizar cursos profissionalizantes ou dar continuidade aos estudos. Mas claro que elas terão que comprovar a realização das atividades”, advertiu.

A solenidade foi encerrada com fogos e o apito da Maria-Fumaça, exposta no local com uma composição formada pelo carro de passageiros S-22 e o carro administrativo O-1, todos restaurados por meio do projeto Ferrovia para Todos da Secretaria Municipal de Cultura.

Críticas

O prefeito rebateu as críticas de que o recurso para compra e restauração do prédio poderia ser utilizado para resolver os problemas de pavimentação, saúde e iluminação da cidade. “O dinheiro utilizado na estação virá da pasta da Educação. São recursos carimbados que não podem ser usados para outros fins que não sejam referentes à pasta”, explicou.

Sobre a possibilidade de usar o orçamento para construir novas creches na cidade, Tuga foi categórico. “Estamos realizando um cadastramente de todas as crianças que estão sem vaga para descobrir de forma criativa a melhor forma de acomodá-los”.

Para o prefeito, a utilização do espaço é essencial para democratizar o acesso à ciência e às tecnologias, combatendo o analfabetismo científico. “Além de ensinar a ler e a escrever, temos que preparar as pessoas para que elas se apropriem do conhecimento e deixem de reproduzir discursos fundamentalistas”, colocou.