10 de julho de 2026
Geral

Região já registrou três terremotos

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

De repente, as prateleiras começam a tremer e um barulho semelhante a um caminhão carregado passando na rua toma conta da cidade. Essa é a experiência de quem já presenciou um terremoto no Brasil. De proporções leves, o número de abalos que são percebidos no País surpreende: são cerca de 50 registros anuais.

Tremores de terra como o que aconteceu anteontem na Indonésia e que atingiu 7 graus na escala Richter estão longe de acontecer no Brasil. O País está fora de áreas de risco, mas isso não significa que está imune. “Sismos podem acontecer a qualquer hora e qualquer lugar”, assegura o geofísico romeno Vazile Marza, professor do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (Obsis/UnB). Tanto que no início do ano, moradores de Monte Aprazível, na região de São José do Rio Preto sentiram um tremor de dois graus de magnitude. Bauru nunca foi o centro de nenhum abalo sísmico, mas existem registros de tremores na região.

“Na região de Bauru, temos somente três abalos sísmicos registrados. Todos são recentes e de pequena magnitude”, aponta Marza. As manifestações relatadas pelo geofísico já completaram dez anos. Em 1996, faltavam poucos minutos para as 21h do dia 6 de novembro, quando os moradores sentiram a terra tremer em Areiópolis. O abalo chegou a 3,3 na escala Richter, quando o fenômeno produz um efeito semelhante a um caminhão passando na rua. Esse foi o abalo sísmico mais forte já registrado na região.

Nove meses antes, a terra já tinha tremido em Bariri. Desta vez, foi uma sismicidade de apenas 2,9 graus na escala. Segundo o Obsis, índices inferiores a 3 graus causa apenas tremulações leves. Em São Pedro do Turvo, o abalo acontecido em novembro de 1991 atingiu 3 graus na escala Richter.

O maior sismo de São Paulo foi em janeiro de 1922, em área de Mogi-Guacu, região de Campinas. “Teve uma magnitude de 5,1. O epicentro deste sismo foi a uma distância de 210 quilômetros de Bauru, onde provavelmente foi percebido com uma intensidade muito fraca”, aponta Marza.

Diariamente

Todos os dias acontecem tremores de terra, mas apenas alguns podem ser sentidos pelas pessoas. “A maioria é captada apenas por sismógrafos. É o que chamamos de atividade de fundo”, explica Marza. Na última década foram registrados mais de cinco mil abalos no País, 400 tiveram magnitude igual ou maior a 3,0 graus na escala Richter e apenas 18 foram superiores a 5 graus.

Além disso, muitos tremores não são nem registrados no Brasil, porque acontecem em locais desabitados. O especialista Jesus Berrocal, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP), conta que recentemente um tremor registrado no Parque Nacional do Jaú, no meio da floresta amazônica, atingiu 4 graus na escala, mas nenhum relato do tremor foi registrado. “Se fosse no meio do Estado de São Paulo, certamente ele teria sido percebido”, descreve.

Além disso, Marza explica que um terremoto com a mesma intensidade pode ser mais destrutivo dependendo da região onde acontece. “Quanto mais populosa a área, maior a destruição. Pois não é o terremoto que mata, mas sim as construções que desabam e soterram”, observa.

O Brasil possui uma posição geológica privilegiada, pois está localizado no interior de uma placa tectônica, conhecida como sul-americana. A possibilidade de ocorrerem terremotos em regiões assim é bem menor do que em países que estão nas bordas dessas placas, como o Chile e a Colômbia. Os terremotos nas bordas também têm magnitude muito maior. A Terra é formada por 12 placas tectônicas, que medem de 60 a 200 quilômetros de espessura.

O primeiro terremoto registrado no País foi em 1700. O tremor de maior magnitude de que se tem notícia no Brasil, ocorreu em janeiro de 1955, em Serra do Tombador (MT), alcançando 6,6 graus na escala Richter. O terremoto que provocou o tsunami que devastou a Indonésia em dezembro de 2004 registrou 9 graus.

O que é terremoto?

A camada mais superficial da Terra é chamada de litosfera. Ela é dividida em 12 partes menores chamadas placas tectônicas. Essas placas estão em lento e constante movimento, gerando deformação nas massas rochosas que as compõe.

Quando o esforço é muito grande, ele supera o limite de resistência da rocha rompendo-a, originando uma falha geológica - e causando um terremoto. Parte da energia que se acumulou durante esse movimento é liberada sob a forma de ondas que fazem o terreno vibrar intensamente.

Quase todos os terremotos acontecem dessa forma. Mas eles também podem ser ocasionados por atividades vulcânicas ou pela própria ação do homem. Nesses casos, são chamados de sismos induzidos e são produzidos por explosões nucleares ou gerados pela criação de grandes reservatórios hidrelétricos.