08 de julho de 2026
Geral

Batalha e poços preocupam DAE

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

O abastecimento de água em Bauru não está comprometido, mas existe uma preocupação constante do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru com a degradação do rio Batalha e com a perfuração de poços sem autorização do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE). De acordo com o presidente do DAE, José Clemente Rezende, para a autarquia perfurar um poço é necessário autorização do DAEE. “Precisa fazer todo um estudo da área onde será perfurado o poço, para saber qual a vazão de água pode ser explorada”, explica.

Clemente cita o exemplo de um poço que seria perfurado no Vânia Maria. Segundo ele, no local era necessário um poço com vazão de 100 metros cúbicos de água por hora. “O DAEE fez um estudo e liberou apenas para 50 metros cúbicos”, disse, explicando que não compensaria os gastos com a perfuração.

Outra preocupação de Clemente é com relação à possível contaminação do Aqüífero Guarani. Ele destaca que os poços clandestinos, dependendo da forma que são perfurados, podem contaminar as águas subterrâneas, comprometendo o abastecimento de água dos poços do DAE. Clemente aponta que a solução é aumentar ainda mais a fiscalização, para evitar um possível colapso no abastecimento.

O presidente do DAE destaca que a própria autarquia vai começar a fiscalizar a perfuração de poços, ainda que legalizados, para que os proprietários façam análises da água. “Justamente para ver se não está ocorrendo contaminação do aqüí-fero”, ressaltou.

Clemente lembrou a necessidade da aprovação do projeto de criação do fundo de tratamento de esgoto, em tramitação na Câmara Municipal, como uma forma de combater a degradação dos rios e não comprometer o abastecimento. Segundo ele, todo esgoto da cidade é lançado nos rios, podendo provocar poluição e contaminação. “Existe essa preocupação para o futuro”, disse.

De acordo com ele, esse fato aumenta ainda mais a importância do tratamento. “Tratando o esgoto e deixando os rios limpos, você terá outras opções de buscar fontes de abastecimento”, frisou.

Ameaças

Segundo a Organização Não-Governamental (ONG) Rede das Águas, o desperdício é uma das principais ameaças à água. Segundo a ONG, o desconhecimento, a falta de orientação e informação aos cidadãos são os principais fatores que levam ao desperdício, que ocorre, na maioria das vezes, nos usos domésticos.

Existem também as perdas decorrentes da deficiência técnica e administrativa dos serviços de abastecimento de água, provocadas, por exemplo, por vazamentos e rompimentos de redes. Essas perdas também se devam à falta de investimentos em programas de reutilização da água para fins industriais e comerciais, pois a água tratada, depois de utilizada, é devolvida aos rios sem tratamento, em forma de efluentes, esgotos e, portanto, poluída. Estima-se que o desperdício de água no Brasil chegue a 70%.