09 de julho de 2026
Internacional

Chávez e esquerdistas controlam Fórum Social Mundial em Caracas

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Caracas - A síntese do que representou o 6.º Fórum Social Mundial em Caracas, na Venezuela, aconteceu ontem, no programa semanal de TV do presidente Hugo Chávez, que utilizou politicamente mais uma vez o encontro, tornando-o o assunto principal da transmissão, e saudou os integrantes do fórum presentes para a gravação.

Os dois representantes da “cúpula” do fórum que lá estavam, Ignacio Ramonet e Samir Amin, pertencem à esquerda mais tradicional que propõe que o fórum seja menos um espaço de encontro e discussões, aglutinador de diversidades, que não apresenta documento final -tornando-o mais propositivo e instrumento da luta contra os EUA e o poder financeiro internacional.

Chávez e este grupo conversaram, combinaram atuações, e deram ao fórum um caráter de esquerda tradicional, antiimperialista, distante da concepção de integrantes de primeira hora, como o brasileiro Oded Grajew.

Chávez apoiou idéias lançadas pelo grupo na etapa africana do fórum - no Mali -, uma semana antes de Caracas. Ele defendeu a criação de uma frente internacional de governos de esquerda e movimentos sociais contra os EUA e pregou um posicionamento político do fórum.

O grupo permitiu que Chávez usasse o evento como festa oficial, com cartazes com sua foto, participação de cantores oficiais e jingles de campanha, o que vai contra a intenção original de separar sociedade civil e governos. O ato criou mal-estar entre muitos participantes, disse Grajew.

Aglutinação

O uso feito pelo presidente do encontro e a tentativa de torná-lo uma espécie de “internacional” de esquerda, disse o fundador do PT Plínio de Arruda Sampaio (hoje no PSOL), ameaça sua capacidade de aglutinação.

Ontem, no dia de seu encerramento, a Assembléia de Movimentos Sociais aprovou linhas de campanha que propõem o fim das bases militares americanas, contra o “livre comércio” (OMC) e pela “solidariedade ao Haiti”. Uma manifestante explicou o último ponto, pedindo a retirada das tropas da ONU, capitaneadas pelo Brasil, do país.