Felino é um conhecido vendedor de carros de Bauru e dizem os entendidos ser um excelente “bate bumbo”, ou, traduzindo: um bom macumbeiro. Entretanto, e nestas histórias sempre existe o tal de entretanto, atua clandestinamente nesta área, pois teme que a fama de macumbeiro possa atrapalhar seus negócios comerciais.
Certo dia fez um trabalho da pesada e tinha que jogar os preparos na água corrente. Com medo de ser reconhecido nos córregos da região, pegou o carro e rodou mais de cem quilômetros em direção a Santa Cruz do Rio Pardo, parou o automóvel, desceu, foi até em cima da ponte, olhou para ambos os lados, para ver se não tinha pescador.
Ninguém!
Ótimo!
Voltou ao carro, pegou os pacotes, preparando-se para atirá-los n’ água, tendo-se esquecido de olhar sob a ponte e não verificando que ali se encontrava vendo a hora passar, tentando pescar, o Nédinho, nosso conhecido e inveterado gozador. Nédinho ouviu o carro parar e ficou na espreita, reconhecendo o vendedor de carros, aliás, sua eterna vitima.
O trabalho do Felino tinha sido da pesada, tendo que jogar vários volumes no rio.
Atirou o primeiro.
Tchigummmmmmmmm
Nédinho soltou o grito:
- Felino fio da fruta! Vai fazer macumba e espantar os peixes na ponta da praia!
Assustado, Felino recolheu os pacotes, correu para o carro e desapareceu. Dizem as más línguas que foi jogar o restante no Tietê, dentro de Sampa, de madrugada e olhando para os lados, com um medo danado de ser novamente reconhecido, tendo interrompido a operação por diversas vezes com medo de passar algum Expresso de Prata transportando algum conhecido...
Contada por Antonio Pedroso Júnior