11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Após 5 anos, lei da fila ainda é ineficaz

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar de estar em vigor desde setembro de 2000, a lei municipal que determina prazo máximo para a permanência de clientes nas filas das agências bancárias não está sendo cumprida. O prazo máximo permitido pela lei em dias normais é de 15 minutos, mas só com muita sorte o cliente é atendida nesse tempo. A maioria amarga mais de meia hora de espera. A falta de fiscalização é apontada pelo Sindicato dos Bancários de Bauru como o motivo principal pelo não-cumprimento da lei.

A lei foi implantada em 2000, mas sofreu algumas alterações e em setembro de 2004 passou a vigorar nos moldes atuais. Até novembro de 2005, a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) havia aplicado 33 notificações e 13 autuações às agências bancárias de Bauru.

Em três agências bancárias visitadas pela reportagem na tarde de ontem – dia considerado de atendimento normal pela lei – algumas pessoas já esperavam há meia hora na fila e todas estavam sem as senhas que certificariam o horário de entrada na espera. O arquiteto Marcelo Garcia disse que sempre que entra numa fila de banco cronometra o tempo que passa esperando e garante que a maioria dos bancos não passa no seu teste.

Ontem ele aguardava o atendimento na agência da Praça Rui Barbosa do banco Nossa Caixa. “Cheguei aqui ás 14h28. São 14h50 e eu ainda estou na fila”, conta. Ele diz que sempre foge dos horários de pico, mas ontem teve azar. Sobre a obrigação das senhas, ele diz que nunca pegou uma. “Se aqui fornece, está mal sinalizado”, critica. O auxiliar administrativo Paulo Vítor Cordeiro Farias tinha acabado de entrar na fila e estava conformado. “Geralmente fico mais de 15 minutos. É difícil as agências que cumprem a lei”, conta.

Na esquina, os clientes do Bradesco também desconheciam a existência de senha para certificar o horário que entraram na espera. “A gente vem direto para a fila”, afirma Franciane de Moura, que depois de mais de 15 minutos seria a próxima a ser atendida. Já na agência do Banco do Brasil, senha só para atendimentos específicos, como abertura de contas. Atendimento no caixa só depois da fila, que ontem não estava tão assustadora. Aguardando o atendimento, o office boy Paulo César Xavier dos Santos aponta que já estava na fila há dez minutos, mas logo seria atendido. “Mas tem outros bancos que a gente chega a esperar mais de meia hora”, relata.

Na Caixa Econômica Federal (CEF) atendimento para serviços de caixa, penhor ou referente ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), só com agendamento. O sistema foi implantado em 17 unidades na região, segundo Olair Ribeiro Filho, gerente de mercado do banco. “Nós utilizamos o sistema para controlar o fluxo de clientes. Cumprimos a lei e oferecemos um tratamento melhor à comunidade”, garante. Para ações de urgência, o caso é analisado para atendimento. A cliente Vanilde Bonilia Antoneli aprova o sistema. “Assim que eu chego, já sou atendida. Se eu tiver que esperar, posso aguardar sentada”, conta.