08 de julho de 2026
Nacional

Conselho aprova cassação de Corrêa

Por Silvio Navarro | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O Conselho de Ética da Câmara aprovou ontem, por 11 votos a três, parecer que recomenda a cassação do mandato do presidente do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), por envolvimento no escândalo do “mensalão”. É o quarto dos 11 processos em curso concluído pelo conselho. O caso segue agora para aval do plenário, que tem autonomia para referendar ou alterar a decisão.

O relator Carlos Sampaio (PSDB-SP)classifica a aliança entre PT e PP, segundo ele costurada a partir de repasses do caixa dois petista, como “espúria”. “Vossa excelência se deu conta de que foram esses repasses que orientaram esse episódio nefasto que seu o nome de “mensalão’?”.

Corrêa é apontado como destinatário de R$ 4,1 milhões do esquema de Marcos Valério de Souza. O pepista diz que recebeu R$ 700 mil, doados pelo PT, usados para pagar o advogado Paulo Goyaz, que defende o ex-deputado Ronivon Santiago (PP-AC) em processos por compra de votos na eleição de 2002. O presidente do PP acompanhou a votação em silêncio. No final da sessão, disse confiar que “o pensamento do plenário será diferente”. Ele deverá recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ ).

A sessão novamente foi marcada pela atuação teatral do advogado Eduardo Ferrão, que defende de Corrêa. A exemplo da semana passada, ele ficou em pé, com um microfone em punho por 30 minutos, leu poemas e bateu boca com o relator, a quem insinuou que buscava notoriedade com a cassação do pepista.

Votaram contra o parecer os dois deputados do PP que integram o conselho, Benedito de Lira (AL) e Sandes Junior (GO), e o suplente José Carlos Araújo (PL-BA). Todos defenderam uma pena mais branda. Dos 11 votos contra Corrêa, a surpresa foi o da petista Ângela Guadagnin (SP), que pela primeira vez optou pela cassação desde o processo contra Roberto Jefferson (PTB-RJ). Guadagnin é relatora do processo contra o ex-líder do PP na Casa, José Janene (PR), licenciado para tratar de um problema cardíacos.

Ontem, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), determinou o envio de uma junta médica a Curitiba para avaliar se Janene tem condições de saúde para responder ao processo ou se deverá ser aposentado por invalidez.