08 de julho de 2026
Turismo

Deserto do Sal e do Atacama

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Após a primeira fase de uma viagem que durou 16 dias, da Cordilheira dos Andes a Machu Picchu, os cinco bauruenses partiram para mais dez dias de pura aventura rumo a dois desertos: do Sal e do Atacama, na divisa com o Chile.

“Nosso ponto de partida foi Cuzco, passando por La Paz e com parada em Potosi, onde chegamos depois de dois dias de viagem de ônibus”, explica Rui.

Em Potosi, Haroldo, Davi e Thiago foram conhecer as minas de carvão em atividade. Visitar o “coração “de uma mina, segundo eles, é uma tremenda “loucura”, já que tiveram oportunidade de estar no momento exato da detonação de dinamites. “Uma experiência de arrepiar, ainda mais pelo fato de presenciarmos os cultos dos mineiros em adoração a três deuses - o Deus da vida, a Mãe Terra e o Diabo, que representa a escuridão”.

Nesse culto, os presentes são obrigados a fumar um cigarro à base de coca e ervas e tomar uma bebida muito forte durante o culto ao diabo. “Esses cultos são realizados em determinados dias, sempre em respeito aos deuses”, destaca Haroldo.

De Potosi, já à tarde, o grupo seguiu de ônibus direto para Iuni, porta da entrada para os desertos. Viagem com duração de 12 horas em estradas de terra, através da cordilheira e considerada a mais fria de toda a viagem, atingindo - na época da viagem - a cinco graus.

“Em Iuni fomos a uma agência contratar o passeio com guia, um veículo Landerouver, alimentação e combustível suficiente para três dias de viagem pelos desertos. “Ao grupo de brasileiros somou-se um italiano.

Mar de sal

A entrada no Deserto do Sal impressionou os brasileiros. “Há uma parada estratégica - um lugarejo onde ainda funcionam salinas rústicas, com extração e refino de sal de forma manual - onde os visitantes recebem orientação da obrigatoriedade do uso de óculos solares (quem não tem pode comprá-los ali mesmo) para se ter uma longa visão devido a claridade, que é intensa”, detalha Rui.

O grupo viajou o dia todo em “cima de um mar de sal”, uma planície total. E se surpreendeu com uma ilha em meio ao branco, com vida, natureza, incluindo cáctos e lhamas.

A viagem no mar de sal prosseguiu até o Deserto do Atacama. “Conseguimos localizar em um lugarejo uma pousada simples onde pernoitamos. Neste lugar há energia apenas das 19h30 às 21h30 e durante toda a noite e madrugada é muito frio”.

Assim como o Deserto do Sal, o Atacama, impressiona pela beleza. “São paisagens fantásticas, coisa de cinema. Durante o dia venta muito forte e o sol brilha o tempo todo. À noite a temperatura cai vertiginosamente e em algumas pousadas não há qualquer vestígio de energia elétrica. Tudo à base de vela e lanterna, com necessidade do uso de colchão térmico.

Gêiseres e o vapor

Depois de avistar lugares surpreendentes registrando tudo na máquina fotográfica, Rui, filho e sobrinhos levantaram muito cedo no último dia de visita ao Atacama para conhecer os gêiseres, que exalam vapores entre às 4h30 e 6h30.

“É impressionante o que a natureza nos revela em lugares inóspidos como esse, incluindo vários lagos povoados por uma infinidade de flamingos”.

Nesses lagos a água muda de coloração dependendo da hora, da incidência dos raios solares e da quantidade de enxofre que contêm. “Nesse trajeto deparamos com poços de água quente que convidam a um banho, despertando a atenção principalmente dos europeus, que apesar do frio intenso, não resistem e mergulham”.

Gêiseres checados, o grupo seguiu até a divida do Peru com o Chile, trocando de veículo e retornando ao Brasil, numa viagem cansativa mas surpreendente, contornando todo o deserto, Uyuni, Potosi, Cochabamba, Santa Cruz de La Sierra, Porto Quijaro, Corumbá e, finalmente, Bauru.