09 de julho de 2026
Nacional

Jefferson põe Alckmin e Serra em Furnas

Por Andréa Michael | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) disse ontem que recebeu ligações de “mais de 50%” dos políticos citados em uma lista como beneficiários de um suposto esquema de caixa dois que funcionaria em Furnas Centrais Elétricas. Eles pediam, segundo Jefferson, que Dimas Ramalho, então diretor de engenharia da estatal, continuasse no cargo. “Eu posso dizer a vocês que, quando houve aquela tentativa do PTB de substituir o doutor Dimas pelo (Francisco) Spirandelo (indicado pelo PTB, como parte do acordo político com o PT), mais de 50% daquela lista me ligou pedindo para não tirar o Dimas. Pediam: “Não tira o Dimas, deixa o Dimas lá’”, afirmou.

Para Jefferson, a lista, que está sob investigação da Polícia Federal (PF) e teria sido elaborada por Toledo em novembro de 2002, está “muito próxima da verdade” e tem lógica. “(A lista) tem uma lógica política. Quanto mais poderoso o partido, mais contribuição. O doutor Dimas estava lá mantido pela aliança do governo do presidente do PSDB à época, Fernando Henrique. Então, as contribuições são para PFL, PSDB, PTB, PP...”, afirmou Jefferson, ao deixar a sede da Polícia Federal, em Brasília, após prestar seu segundo depoimento aos policiais.

A reportagem revelou ontem que, em depoimento à PF no Rio de Janeiro, na semana passada, ele assumiu ter recebido, conforme consta da lista, uma doação de R$ 75 mil que teve como fonte o suposto esquema instalado em Furnas.

Questionado sobre por que tucanos como José Serra (R$ 7 milhões), candidato a presidente, e Geraldo Alckmin (R$ 9,3 milhões), candidato ao governo de São Paulo, teriam recebido mais recursos, Jefferson respondeu: “Isso aí vocês têm que perguntar a eles por que o PSDB ganhou muito mais. Eu era miudinho”. A contabilidade paralela investigada pela PF soma R$ 40 milhões. De acordo com a lista, o dinheiro teria sido conseguido “por intermédio de Furnas, entre colaboradores, fornecedores, prestadores de serviços, construtoras, bancos, fundos de pensão, corretoras de valores e seguradoras”, segundo diz o cabeçalho de um desses papéis.

Conforme os papéis - que são cópia de uma cópia autenticada -, 156 candidatos a presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual de diversos Estados e partidos receberam recursos, nas eleições de 2002, por meio desse suposto esquema ilegal. O ministro Hélio Costa (Comunicações), que em 2002 era candidato a senador, foi questionado após um evento sobre TV digital sobre o fato de seu nome constar na lista como beneficiário de R$ 400 mil. “Se alguém tiver algum documento que prove, eu renuncio ao meu mandato de senador (licenciado)”, disse.

Ontem, em Brasília, Jefferson voltou a reafirmar a doação a ele, que teria sido feita em dinheiro, pelo próprio Toledo. “A lista é verdadeira no que toca a mim”, afirmou Jefferson, que se recusou a fazer comentários sobre os outros nomes citados nas cinco páginas da lista. Apesar da insistência da imprensa para que Jefferson falasse sobre a lista do suposto caixa dois de Furnas, seu depoimento ontem teve como focos o mensalão e irregularidades nos Correios. Ele reafirmou as denúncias de que a estatal era uma das fontes de recursos para alimentar a compra da base de apoio do governo.

Toledo nega ser o responsável pela lista e trata os papéis como fruto de “uma fraude”.