08 de julho de 2026
Regional

Carcereiros são feitos reféns em Ibitinga

Por Adilson Camargo | Com Agência Estado
| Tempo de leitura: 3 min

Ibitinga - Três carcereiros foram feitos reféns ontem de manhã na cadeia de Ibitinga (80 quilômetro de Bauru). Eles foram libertados sem ferimentos, no final da tarde, depois de quatro horas de negociação envolvendo três líderes dos presos, o delegado Carlos Alberto Ocon de Oliveira, o juiz corregedor Roberto Rainieri Simão e o promotor de Justiça Fabiano Augusto Petean.

A rebelião começou durante o horário de visita e contou com a participação de 25 dos 61 presos que ocupam as cinco celas. A cadeia tem capacidade para abrigar no máximo 25 detentos.

A superlotação da cadeia foi uma das causas da rebelião, na qual os presos reivindicaram transferência para a penitenciária. Outro motivo seria o descontentamento dos presos com mudanças no sistema de visitas implantadas desde a semana passada pelo delegado Carlos Ocon, há 13 anos na única delegacia da cidade, que tem 60 mil habitantes.

As mudanças ocorreram depois da fuga de nove presos há exatamente uma semana. Quatro dos fugitivos foram recapturados pela polícia.

Por causa da fuga, o delegado reduziu o horário de visitas de seis para quatro horas. Além disso, estabeleceu que os presos que não tivessem visitas iriam permanecer nas celas. Ocon proibiu também a entrada de aparelhos eletrônicos, como rádios, por exemplo.

As medidas, segundo o delegado, tinham como objetivo aumentar a segurança durante o horário de visita e tentar evitar novas fugas, como a da semana passada. Na ocasião, os nove detentos escaparam enquanto os carcereiros conferiam a documentação dos visitantes. Os presos subiram no telhado, arrebentaram a tela de proteção e fugiram.

Uma parte dos presos não concordou com as medidas tomadas pelo delegado e decidiu protestar. Ontem, por volta das 10h30, quando as visitas ainda estavam entrando, eles renderam três carcereiros. Entre as visitas que ficaram presas do lado de dentro da cadeia, junto com os rebelados, estava uma criança de 9 meses.

Acordo

O grupo só foi liberado por volta das 14h30, quando os presos chegaram a um acordo com a direção da cadeia. Durante a negociação, um dos carcereiros, Dirceu Sampaio, passou mal. O mesmo aconteceu com uma mulher que estava visitando um dos presos. Ambos foram liberados para atendimento médico. A cadeia chegou a ser cercada por policiais de Ibitinga, Itápolis, Tabatinga e Matão. Mas a negociação transcorreu sem nenhum incidente.

Os presos conseguiram que o delegado recuasse em sua decisão de reduzir o horário das visitas. O prazo voltou a ser de seis horas. Além disso, o delegado reconsiderou também a decisão de manter nas celas os presos sem visitas. Diante do recuo, os presos liberaram os carcereiros Luciano Ferraz e Álvaro Fernandes de Melo que continuavam reféns.

Segundo apurou o JC, a cadeia de Ibitinga não registrava uma rebelião há mais de dez anos. No último dia 2 de dezembro, houve um princípio de rebelião, mas o conflito foi controlado de imediato. Dos 61 detentos que estão no local, 23 são já condenados.

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Decisão precipitada

Em sua passagem ontem por Bauru, para inaugurar a Central de Penas e Medidas Alternativas, o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, disse que não existe previsão para a transferência desses presos condenados de Ibitinga. Segundo o secretário, não foi feito nenhum pedido recente para transferência de presos para penitenciárias.

Furukawa considerou precipitada a decisão do delegado Carlos Alberto Ocon de reduzir o horário de visitas. Na opinião dele, o delegado deveria ter esperado um momento mais propício, de preferência quando a cadeia estivesse com menos presos.

Adilson Camargo