10 de julho de 2026
Regional

Jaú apresenta projeto pioneiro de produção de tijolos ecológicos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - Além de participar da abertura oficial da 10ª edição dos Jogos Regionais dos Idosos, a presidente do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo, Maria Lúcia Alckmin, conhecerá hoje um projeto pioneiro desenvolvido em Jaú (47 quilômetros de Bauru). Trata-se de uma fábrica que produz tijolos ecológicos. A diferença em comparação aos tijolos convencionais é que o material feito em Jaú não vai ao forno e, portanto, não polui o meio ambiente.

O tijolo jauense é menor do que o convencional. O processo de fabricação dispensa a queima do produto. A composição inclui bastante terra e um pouco de cimento (para dar liga), areia e água.

Segundo explicou a presidente do Fundo Social de Solidariedade de Jaú, Suzana Sanzovo, o sistema de produção é simples e o resultado tem se mostrado bastante satisfatório. O acabamento também agrada, já que oferece a mesma possibilidade estética de um “tijolinho à vista”.

A idéia de investir no tijolo ecológico surgiu em 2002, quando o Fundo Social de Jaú recebeu uma verba do Estado para aplicar em programas de geração de renda. Coube a cada município decidir em qual projeto o dinheiro seria investido. No caso de Jaú, a presidente do Fundo Social acreditou no potencial da fábrica de tijolos para resolver um dos principais problemas da cidade, que era a falta de moradia.

A intenção não era simplesmente construir as casas, mas fazer com que os futuros moradores participassem desde a fabricação dos tijolos até a construção das moradias.

A fábrica entrou em funcionamento em 2004, no Jardim Padre Augusto Sani. O projeto foi batizado como Clarear Caminhos e passou a beneficiar famílias carentes, a maioria com terrenos doados pelo poder público, mas sem dinheiro para levantar uma casa decente.

Com apoio da Secretaria Municipal de Habitação, do Fraterno Auxílio Cristão (FAC) e da Caixa Econômica Federal (CEF), o Fundo Social investiu em materiais e equipamentos para aumentar a capacidade de produção da fábrica de tijolos.

“Foram investidos cerca de R$ 10 mil em máquinas. Construímos barracão, escritório e toda infra-estrutura para o funcionamento do projeto”, diz Suzana. “A compra de terra, cimento e areia também está sendo feita pelo próprio Fundo Social, com verbas obtidas com festas e eventos”, comenta, destacando ainda que com as parcerias o projeto terá condições de atender mais famílias.

Baixa renda

Numa primeira etapa, serão beneficiadas 85 famílias, que possuem lotes urbanizados e conseguiram comprovar renda de até um salário mínimo.

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, a CEF oferecerá recursos a fundo perdido (sem a necessidade de devolução) para a construção dos imóveis. Para cada uma das 85 unidades serão disponibilizados R$ 10,4 mil.

De acordo com a secretária de Habitação, Alzira Fátima Voltolim, o financiamento pela CEF só foi possível porque a cidade tem tratamento de esgoto. “Isso foi decisivo para a concretização dessa parceria”, declara. Atualmente, Jaú trata cerca de 80% do esgoto doméstico.

A Secretaria de Habitação será a responsável pelo acompanhamento técnico e orientação dos moradores durante a construção das casas, que seguirá o sistema de mutirão.

O “embrião” do projeto já está quase concluído e também será visitado pela primeira-dama do Estado. O protótipo fica em um terreno no Jardim Padre Augusto Sani e possui 23 metros quadrados de área construída. As 85 moradias, no entanto, serão maiores, com 42 metros quadrados de área construída, o que inclui um quarto, sala, cozinha e banheiro. A estrutura permite ampliação.