09 de julho de 2026
Internacional

Irã: intervenção prevista para março

Folhapress
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Washington - O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed el Baradei, disse ontem que até 6 de março, quando deve ocorrer a reunião ordinária da agência da ONU, não ocorrerá nenhuma ação contra o Irã. A declaração foi dada à margem de um encontro que visa definir se a questão nuclear do Irã será levada ou não ao Conselho de Segurança (CS) da ONU, como solicitado por países europeus e os EUA.

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança são EUA, Reino Unido, França, Rússia e China. Para ser adotada, a resolução deverá contar com o apoio da maioria dos 35 países-membros da Executiva da AIEA.

El Baradei disse que a disputa sobre o controvertido programa nuclear do Irã se encontra “em uma fase crítica, mas não é uma situação de crise”, acrescentando que não se trata “de uma ameaça imediata”.

O Conselho de Governadores da AIEA está reunido em Viena com o objetivo de adotar uma resolução que leve o caso iraniano ao CS da ONU, que tem o poder de impor sanções contra o país.

Segundo El Baradei, o Conselho de Governadores quer enviar “uma mensagem clara” ao Irã, mas ressaltou que nenhuma ação efetiva será pedida por enquanto. El BAradei disse que não está em discussão o direito de o Irã desenvolver energia nuclear, mas disse que é imprescindível que o país renuncie ao enriquecimento de urânio, pelo menos enquanto houver dúvidas sobre a utilização dessa energia.

Representantes de França, Alemanha e Reino Unido - grupo de três países da UE que negocia o programa nuclear iraniano - formalizaram nesta quarta-feira o pedido para que o Conselho de Governadores da AIEA permita que o caso do Irã seja levado ao CS da ONU.

No dia último dia 10, o Irã retirou todos os lacres que selavam os centros de Pesquisa e Desenvolvimento nuclear do país e retomou as atividades nesse campo. Essa não foi a primeira vez que o governo iraniano rompeu um acordo com europeus envolvendo a questão nuclear.

Em agosto passado, autoridades decidiram reiniciar a atividade de conversão de urânio - produzindo o gás necessário para o enriquecimento do material. A pesquisa de combustíveis nucleares pode incluir testes em pequena escala com processos atômicos, incluindo o enriquecimento de urânio, que já foi realizado pelo Irã.

O Irã interrompeu seu programa de pesquisa nuclear no final de 2003, quando o país era governado por moderados, como gesto de boa vontade destinado a facilitar as negociações com a UE.

No entanto, a chegada ao poder, em meados do ano passado, da corrente ultraconservadora do atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad, instalou a política de desafio e interrompeu a negociação entre Irã e a tríade européia composta por Alemanha, França e o Reino Unido.

A primeira decisão polêmica do novo governante foi retomar em agosto a primeira fase do enriquecimento de urânio, que também tinha sido interrompida pelos moderados.