Salvador - Depois de receber três denúncias anônimas, a polícia de Jitaúna (388 km de Salvador) prendeu ontem quatro pessoas acusadas de praticar pedofilia no município. De acordo com a delegada Gabriela Macedo, os acusados teriam praticado sexo com seis meninas com idades entre 11 anos e 15 anos - uma delas está grávida. Outros dois acusados estão foragidos.
Ontem pela manhã foram presos dois comerciantes, de 68 anos, e dois feirantes, de 64 anos e 51 anos. Durante as investigações, funcionários do Conselho Tutelar da Bahia descobriram que os acusados pagavam às garotas entre R$ 1,00 e R$ 3,00, por relação sexual. Quando não recebiam o dinheiro, as meninas ganhavam frutas ou mantimentos, como arroz e feijão, de acordo com informações dos agentes policiais que participaram da operação de prisão dos acusados.
A PM de Jitaúna informou que todas as garotas moram na zona rural da cidade e eram abordadas pelos acusados quando deixavam a escola. Após a prisão, a Justiça determinou a realização de exames nas meninas, mas os resultados somente serão divulgados na próxima semana.
Segundo a PM, todas as vítimas identificaram os acusados. Em seus depoimentos à PM, três acusados negaram qualquer tipo de contato sexual com as adolescentes e contaram que apenas conversavam com elas com freqüência.
Somente o feirante de 64 anos admitiu que mantinha relações sexuais com uma das seis vítimas do grupo, que, segundo ele, já havia sido casada.
A delegada Gabriela Macedo disse que a adolescente grávida não soube explicar quem é o pai do seu filho. “Ela contou que manteve relações sexuais com todos os quatro acusados que estão presos e com os outros dois foragidos.”
A delegada disse também que a PM de Jitaúna já identificou os outros dois acusados. Com 21.010 habitantes, a cidade sobrevive da agricultura e pecuária. Para tentar evitar a exploração sexual durante o Carnaval, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) vai desenvolver a mesma campanha realizada no ano passado. Cartazes e folhetos com mensagens em inglês, espanhol e português serão colocados em hotéis, pousadas, restaurantes e locais turísticos de Salvador informando que o “turismo sexual” é crime no Brasil. Nas mensagens também há uma linha telefônica para o recebimento de denúncias.