A área verde de 14,7 alqueires, dotada de nascentes, mata nativa e recortada pelo córrego Água do Castelo, entre os bairros Jardim Godoy e Alto Alegre, poderá ser transformada em um novo parque de lazer, cultura e entretenimento de Bauru. Apelidado de “Ibirapuera de Bauru” pelo arquiteto Jurandyr Bueno Filho, a região onde poderá ser criado o Parque do Castelo corresponde à parte da área que, no passado, pertenceu à família Fernandes.
Há mais de 20 anos, a Secretaria Municipal de Planejamento desenvolveu o projeto para o prolongamento da avenida Nações Unidas Norte, importante via que interligará os bairros vizinhos até o encontro com a rodovia Bauru-Marília, futuro acesso da cidade. Conforme publicado pelo Jornal da Cidade no início do ano, o deputado Pedro Tobias (PSDB) sugeriu a inclusão de uma emenda no orçamento de 2006, solicitando ao governo estadual a execução da avenida Nações Unidas Norte.
Na opinião de moradores da região, Bauru cresceu, preencheu grandes vazios urbanos, implantou núcleos habitacionais em regiões periféricas, que hoje já se encontram com a área central e agora é o momento de desenvolver a região norte.
A região conhecida pela Fonte do Castelo manteve-se pouco alterada. “Não tem mais para onde crescer, a cidade está quase rodeada por rodovias, agora só falta preencher este meio (referindo-se à região do parque)”, diz José Eduardo Fernandes Kronka, um dos descendentes de Fernandes. “Aí sim a cidade ficará com um sistema viário ótimo”, acrescenta.
Fonte de renda
A Fonte Água do Castelo começou a operar em 1938, com o casal Gabriel e Dolores Fernandes, filhos, genros e depois os netos. Durante quase 30 anos, a fonte, que ganhou o nome devido os castelos medievais da região da Andaluzia, de Granada, região conquistada pelos mouros, que povoavam a memória de Dolores.
Edson Fernandes recorda a história: “Eram garrafões de três litros, lavados em outra mina, e esterilizados. Depois, os rótulos eram colados com cola de polvilho caseira, rolha e o selinho de proteção. Os garrafões eram protegidos com palha de milho para não quebrar e eram vendidos nos caminhões pela cidade”.
O produto, comercializado em bares e mercearias, tinha até direito a slogan: “Os índios já bebiam água da Fonte do Castelo”. Edson salienta que a água tinha licença do Instituto Adolfo Lutz e passava por vários filtros antes de jorrar nos azulejos do Castelo. “Havia vários filtros - de areia, de carvão -, até chegar nos azulejos. Acredito que, se houvesse uma limpeza na área, a água continuaria a jorrar como antigamente. Lá existem diversos olhos d’água”, diz Fernandes.