08 de julho de 2026
Geral

Vence prazo e lixo continua na rua

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Apesar de a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) ter prometido colocar em dia no fianl de semana a coleta de lixo que estava atrasada em vários bairros, ontem a situação ainda persistia em alguns pontos da cidade. A direção da Emdurb atribuiu às sucessivas faltas de coletores ao trabalho a causa de mais um atraso na atividade e adiantou que o serviço deverá normalizar-se por completo somente amanhã.

A reportagem do JC percorreu, ontem pela manhã, a cidade e encontrou lixo acumulado em diversos bairros, principalmente no Jardim Bela Vista, Altos da Cidade, Jardim América e até em áreas centrais. A rua Azarias Leite era um exemplo, pois ao longo de sua extensão podia-se encontrar vários sacos de resíduos amontoados em frente a estabelecimentos comerciais e residências. Em uma delas, localizada na quadra 11, a moradora Berenice Almeida Costa contou que a coleta não era feita desde a última terça-feira.

“Normalmente, ela era executada regularmente às segundas, quartas e sextas, mas essa semana só passaram na terça-feira e não vieram mais”, afirma. “E não é legal ficar com o lixo amontoado assim, pois junta moscas e, quem deixa as sacolas no chão, os animais vêem, rasgam e fazem a maior sujeira”, critica. E acrescenta: “Agora mesmo eu estava andando aqui por perto e senti o mau cheiro de um monte de lixo cerca de 50 metros antes de chegar perto dele, que estava cheio de insetos e varejeiras.”

Segundo Costa, a situação do seu lixo residencial só não é pior devido aos seus hábitos alimentares não propiciarem o acúmulo de materiais orgânicos. “Como costumo comer fora, meu lixo é formado mais por folhas secas da varrição que faço da calçada e de restos inorgânicos. Por isso, não dá cheiro ruim nem insetos, mas em outros vizinhos isso ocorre”, ressalta.

Igual situação também vivenciaram ontem os moradores do Jardim Bela Vista. A comerciante Neusa Taira, dona de um bar há 21 anos na quadra 10 da rua Francisco Alves, reclama que a coleta foi feita somente na última quinta-feira. “É ruim, pois fica um mau cheiro e atrai moscas. Além disso, quando passam animais por aqui, eles rasgam as sacolas que estão amontoadas e emporcalham as calçadas. Nossos clientes reclamam, mas o que é que a gente pode fazer?”, questiona. “Ninguém gosta de ficar com lixo parado em frente sua casa. Só traz problemas”, completa Eralde Batista, outro morador das proximidades.

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Descontrole

Os problemas com a coleta de lixo foram expostos pelo JC desde o início da semana. No último dia 2, a reportagem apontou que apenas três semanas após o anúncio da terceirização da coleta de lixo, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) perdeu o controle sobre o serviço prestado na cidade em razão dos dejetos de pelo menos seis grandes bairros de Bauru não terem sido recolhidos nem ao menos uma vez naquela semana.

A mesma matéria informou ainda que, além dos defeitos mecânicos enfrentados na frota de caminhões, grande parte dos funcionários perdeu o receio de faltar diante do desemprego que a terceirização vai causar.

Conforme o JC apurou, os servidores estão desmotivados porque dão como certa a demissão coletiva, embora nenhuma informação oficial tenha partido da diretoria. A ausência de dados concretos seria fonte de especulações que provocam inquietações dentre a categoria. De acordo com o presidente da Emdurb, Renato Purini (PMDB), o contato será feito no momento correto, quando tudo estiver formatado.

No entanto, a diretoria tem recomendado tranqüilidade aos funcionários porque serão melhores as condições de trabalho dos servidores contratados pela empresa vencedora da licitação, após o processo de terceirização. A remuneração seria mais atrativa, contando com benefícios como plano de saúde e seguro.

Apesar do esforço, na opinião de Sandro Fernandes, advogado do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e membro da Frente Frente de Resistência e Defesa do Serviços Públicos contra Terceirizações e Privatizações, a eventual desmotivação da categoria parte da própria Emdurb.

“Estão jogando a opinião pública contra os coletores. O processo de terceirização em curso pressupõe o desmonte da frota e a desmotivação do corpo funcional, porque na mente dos trabalhadores passa a perder o sentido lutar (pela manutenção da Emdurb). Passa a haver um convencimento coletivo de que não há mais nada a fazer”, opina o advogado.

Da Redação