09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Crianças desaparecidas


| Tempo de leitura: 2 min

Ainda me lembro com saudades da minha primeira viagem de férias sem meus pais, visitar meus avós em Jundiaí (SP), andar de trem da Cia Paulista sozinho, dinheirinho suado no bolso pra comprar o guaraná, o famoso biscooooito com polvilho e as coxinhas vendidas durante a viagem. Tinha pouco mais de 14 anos e a ansiedade foi enorme quando fomos ao Comissário de Menores à época para poder tirar uma autorização para que minha viagem pudesse se concretizar sem meu pais.

Foram apenas poucos minutos, algumas perguntas e uma autorização assinada pelo meu pai se responsabilizando pela minha viagem, mas para mim pareceram horas até o sr. comissário entregar a minha “carta de alforria” e dizer: "Boa viagem, menino". Tenho dois filhos menores, um de 14 e outro de 16 anos, e durante suas últimas férias escolares resolveram visitar parentes na cidade do Rio de Janeiro, participando aos “pobres e já saudosos” pais que pretendiam ir sózinhos de ônibus.

Confesso que me lembrei imediatamente da minha primeira vez também ao responder rapidamente, antes que D. Tereza, minha esposa, falasse não, tudo bem, vamos ver o que é preciso pra que vocês possam viajar. Telefonei ao cartório responsável no Fórum de Bauru para saber como e onde poderia me dirigir para assinar a autorização e liberá-los para a viagem, e a primeira pergunta que me fizeram foi essa: “Quantos anos eles tem?”. Ao dizer a idade deles, 14 e 16, é que me veio a preocupação e a vontade de redigir essa correspondência.

Nao era necessária nenhuma autorização, bastaria estar de posse do RG que poderiam ir ao terminal rodoviario, comprar as passagens, viajar para outro Estado e, consequentemente, retornar a Bauru...... se resolvessem voltar, é lógico, mas graças Deus foram e voltaram. Será que esse crescente número de crianças desaparecidas e pais desesperados procurando delegacias, jornais, rádios, TV e ONGs em busca de notícias de seus filhos não seria menor se houvesse a necessidade e obrigatoriedade dos pais ainda precisarem autorizar seus filhos menores a viajar sozinhos? Uma “burocracia” tão pequena diante da inúmeras que existem nesse país, mas, a meu modo de ver, muito importante para a segurança de nossos filhos. Com a palavra, nossas “autoridades”.

Roberto “General” Macedo - RG 5.646.390