08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Escola em tempo integral


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Tive o privilégio de estudar, todo o tempo do curso ginasial, num grande colégio, em tempo integral, ou seja, em regime de semi-internato, como se dizia na época. Entrávamos às 7 horas e tínhamos três aulas e um intervalo de 15 minutos para merenda e, em seguida, mais duas aulas, terminando o turno às 12 horas, quando tínhamos meia hora para higiene e preparação para o almoço, que ia das 12h30 às 13h30. O “descanso” ia das 13h30 às 14h45, quando iniciávamos o “estudo” para tarefas, leitura das matérias do dia seguinte, algum exercício, todo esse tempo monitorado por um professor “que sabia tudo” e tirava as nossas dúvidas de latim, português, matemática, história, inglês, francês, geografia etc... Às 16h ficávamos livres para a prática de esportes durante cerca de uma hora para nos prepararmos para a saída, às 17h30.

Quando chegávamos a casa, era um banho, jantar e cama. Recordo-me desse tempo com muita alegria e, às vezes, com uma certa dose de saudade. A escola, para mim e para a maioria dos meus colegas, era um lugar muito agradável em que nos sentíamos muito bem. E mais: nem sabíamos da existência de drogas de qualquer espécie. É bom dizer que, nessa época, semi-internato e internato (salvo o do Colégio Pedro Segundo) só particulares, mas que o ensino era eficientíssimo não resta a menor dúvida. Será que governos estaduais, com a fraca estrutura que têm, professores mal remunerados e verbas minguadas que destinam à educação terão como fazer igual ou semelhante?

José Benedicto Pinto - RG 4.440.349