Brasília - Os líderes partidários da Câmara vão retomar hoje as negociações para a votação do projeto que permite a redução de gastos nas campanhas eleitorais. Depois de mais de duas horas de reunião, líderes não chegaram a um acordo sobre dois dos principais pontos da proposta. O primeiro trata do estabelecimento de um teto para os custos de campanha, o segundo ponto se refere à divulgação dos gastos via Internet.
O líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), confirmou que seu partido não aceita aprovar o teto. “O PFL vai votar contra o teto. Nós achamos que foram grandes as mudanças já conquistadas e agora vamos negociar a redução de gastos.” Enquanto os pefelistas resistem ao teto, os petistas afirmam que ele é um ponto básico do texto e não aceitam a sua retirada.
“Queremos o teto. O PT vai defender este ponto. Sem o teto o abuso do poder econômico nas campanhas eleitorais vai continuar”, afirmou o líder petista, deputado Henrique Fontana (RS). Pelo texto já negociado até agora, ficam proibidos apenas os showmícios, a propaganda paga em jornais, outdoors e a distribuição de brindes.
O relator do projeto na Câmara, deputado Moreira Franco (PMDB-RJ), que também participou da reunião desta terça-feira, diz estar otimista com a possibilidade de os líderes avançarem no texto até o final da tarde desta quarta-feira. “Vamos votar amanhã de qualquer jeito. Eu estou otimista e creio que é possível votar. Vou voltar a conversar com os líderes e fazer uma redação que atenda aos desejos de todos” disse Moreira.
O relator explicou que os partidos não fazem objeção à divulgação das contas via internet, apenas vêem problemas na sua operacionalização. “Em relação à internet, o principal problema são as cidades mais distantes, sem acesso a provedor”, explicou. Segundo Moreira Franco, uma alternativa é tornar disponível um ícone na página da Justiça Eleitoral para que esses dados fossem divulgados.