Era maio do findo ano de 2005, um peruano de nome Daniel visitava Bauru passando alguns dias na “Cidade sem Limites” acompanhado de sua namorada a jovem Mônica.
Juntamente com alguns amigos, inclusive o lendário Tio Bu (aquele do “louro-shaberu”, o papagaio que entendia de pesca, lembram?) e o seu filho Gil, fomos passar uma tarde no Pesqueiro São Francisco, na minha querida Piratininga, onde tive a alegria de nascer, numa época não tão distante... Ficamos no lago dos pacus, pois o jovem Daniel era neófito no assunto pescaria e queria sentir emoções fortes.
Foi logo avisado de que os pacus são “briguentos” e que deveria puxá-los com força para fora d'água, para não perder o peixe. Varas de bambu de ponta grossa e firme esperavam pelos peixes acomodadas no suporte junto à margem.
Daniel, grande ginasta e levantador de peso, levou muito a sério o conselho que lhe demos. Concentrou-se ao máximo no possível movimento da vara e, ao primeiro puxão do enorme pacu, agarrou o bambu com as duas mãos, fazendo um giro vigoroso para trás, mas com tanta força e violência que o grande peixe, ao sair da água e soltando-se do anzol, literalmente voou por sobre as árvores que cercam o pesqueiro e desapareceu.
Uma loucura! Embora já refeito do susto e da emoção, Daniel transpirava e lamentava a perda do peixe, sem ter a menor noção de onde fora parar aquele belo espécime.
Nós também. Achamos melhor nem falar nada para o amigo João Francisco Quirino, dono do pesqueiro, muito bem assessorado pelo Fernando, jovem simpático e muito atencioso.
Continuamos a pescar. Era incrível, mas ninguém, com exceção do entusiasmado peruano, estava pegando nada. Pedimos menos entusiasmo ao companheiro Daniel, caso ele fisgasse outro pacu.
Não demorou nadinha, outra sacudidela na vara de bambu encheu o coração andino do Daniel de emoção e seu cérebro agiu incontinenti. Vaaaaapt!!! Outro puxão descomunal e mais um peixe voando se perdendo entre as folhas verdes das árvores.
Parecia brincadeira. Mas não era. Uníssonos, bradamos: Calma Daniel, menos força! - Não me mandaram puxar com tudo? Mas ponderamos: Mais devagar, mais devagar! Quando ele fisgou o terceiro, nossa preocupação aumentou, porém não tivemos tempo de impedi-lo!
Mais um peixe que desapareceu na floresta! O quarto pacu, então, parecia ter asas! Era um foguete em forma de peixe, caindo no meio da mata! Alguma coisa tinha que ser feita e logo. Paramos a pescaria, tomamos umas cervejinhas e fomos embora, preocupados por não ter comunicado o inusitado ocorrido ao amigo João.
Ficamos sabendo, duas semanas depois, que o proprietário de uma bela casa vizinha ao pesqueiro, separada deste por um alto muro e pelas árvores, além de uma pequena estrada vicinal, veio comunicar ao amigo João, um fato interessante.
- Olha seu João, eu cheguei de viagem ontem e levei um baita susto! Não é que na minha piscina eu encontrei quatro peixes enormes, nadando numa boa! Será que escaparam do seu pesqueiro?
Fernando Lucilha Júnior - pescador e contador de causos verídicos.