10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Franceses visitam frigorífico e esperam o fim do embargo

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Uma comitiva de aproximadamente 30 empresários franceses visitou ontem as instalações e linha de produção do Frigorífico Mondelli, instalado no Núcleo Mary Dota, região leste de Bauru. Com interesse no fim do embargo à exportação da carne bovina brasileira, eles estão percorrendo alguns frigoríficos do Estado de São Paulo para inspeção da qualidade do produto. Desde outubro do ano passado, após o anúncio do descobrimento de foco de febre aftosa no Brasil, países da Comunidade Européia - incluindo a França - deixaram de importar a carne bovina do Brasil. Agora, os empresários franceses aguardam uma decisão política para voltar a negociar com o Brasil.

Entre os empresários que visitaram o frigorífico em Bauru, estava o presidente da Federação Nacional Francesa de Comércio de Carne, Nicolas Douzain. Ele avaliou que as instalações do frigorífico de Bauru correspondem aos padrões europeus. “Antes do aparecimento da febre aftosa, comprávamos carne do Brasil, inclusive de Bauru. A carne é muito boa e corresponde bem ao mercado francês”, afirma Douzain.

Sobre o embargo, o presidente da entidade está certo de que o Estado de São Paulo será o primeiro a voltar a vender para a Europa. “A questão principal hoje é onde tem o gado com a doença. Em outros Estados vai demorar mais do que São Paulo para voltamos a comprar carne”, afirma. “É a comissão européia que vai decidir quando vai ser aberto (a exportação) para o mercado. Mas não tem nada oficial até hoje”, explica.

“Achamos que é uma decisão muito dura da comissão européia de fechar o Estado de São Paulo (para o comércio), onde não tem nenhum caso de febre aftosa”, conclui. De acordo com Rubens Vicente, gerente-executivo do Mondelli, 5% das exportações do frigorífico iam para França até antes do embargo.

Durante a visita ao frigorífico em Bauru, os franceses se interessaram pelo charque, também conhecido por carne de sol, produto ainda pouco consumido por eles.

A supervisora de exportação da empresa, Rosa Maria Mondelli Leonardi, foi responsável por acompanhar os franceses e mostrar a preparação da carne de sol. “Eles não conhecem o produto e ficaram bastante curiosos e interessados. As exportações deste tipo de carne são comuns à Angola”, conta Leonardi. Equipados com máquinas fotográficas e filmadoras, os franceses conheceram um pouco mais da carne que é especialidade brasileira.

Em uma das salas, viram pilhas de carne que ficam salgando por duas semanas. “É o tempo necessário para a carne ficar pronta”, explica Leonardi. Os franceses também conheceram o curral, abate, produção de miúdos, de hambúrguer e lingüiças, além do setor de embalagem.

Agora, empresários franceses aguardam a conclusão de técnicos da União Européia sobre avaliação das ações adotadas no Brasil para a erradicação dos focos de febre aftosa. Eles estão ansiosos pela decisão dos países europeus para voltarem a importar o produto brasileiro. Outra comitiva composta por técnicos franceses visitou propriedades rurais no Mato Grosso do Sul e Paraná neste mês.

No roteiro do trabalho desta que é a primeira missão técnica da União Européia ao Brasil desde o embargo à carne imposto no ano passado, os técnicos farão também uma visita ao laboratório oficial do Ministério da Agricultura, no Rio Grande do Sul. Na pauta, eles irão conversar com os técnicos do laboratório, responsáveis pelos testes que constataram os focos da doença.

____________________

Exportação

Apesar do embargo à carne bovina do Brasil imposto pelos países da União Européia desde outubro do ano passado, a expectativa do frigorífico de Bauru é de crescimento de 6% nas exportações neste ano. A empresa explica que não teve prejuízos porque parte do produto exportado foi adquirido pelo mercado interno. Antes, o volume de exportação era o mesmo do consumo interno, ou seja, 50% para cada setor.

“Depois do embargo, 80% da carne passou a ser vendida para o mercado interno e os 20% restantes continuaram a ser exportados a outros países”, diz o gerente-executivo do Mondelli, Rubens Vicente. Aproximadamente 70 mil toneladas de carne são produzidas anualmente pelo frigorífico.