“Meses de planejamento, muitas reuniões e no final, a decisão: realizar um Cruzeiro pelo rio Nilo. Ao grupo original, Muricy, Maria Luiza, José Carlos, Norma e Rita Chaim, agregaram-se Neuton (Nilza) de Botucatu, Jair (Maria Augusta) de Ibirá e Heitor, da Paraíba.
Via Amsterdan, chegamos ao Cairo e nos instalamos no Hotel Sheraton, de onde partimos para visitas na cidade: Como já estávamos instalados no Bairro de Giza (costumeiramente chamado de Gizé), fomos às pirâmides monumentais de Quéops, Quefren e Miquerinos, construídas pela técnica do plano inclinado - transporte dos enormes blocos de pedra, cujo rejunte parece com o de Machu Picchu (Peru).
Parte do nosso grupo adentrou ao subterrâneo da pirâmide, para uma pequena área de acesso. Todo o tempo estávamos cercados da chamada Polícia Turística (de camelô ou a pé), responsável pela proteção dos turistas. Ainda no mesmo espaço, visitamos a Esfinge e seu templo anexo. Tudo inesquecível.
Retornando à van, fomos ao Museu Egípcio, onde encontramos a maior raridade da arqueologia, o sarcófago e a máscara mortuária de Tutankamon, o faraó menino. Por que sua fama?
Foi a única tumba encontrada intacta no Vale dos Reis. Foi por acidente que Howard Carter a encontrou. Pesquisando na tumba de Ramses II (já saqueada), uma vasilha de água tombou e o líquido escorreu por uma fenda. Alargando essa fenda chegaram abaixo, onde estava o faraó menino. Percorremos as diferentes alas - não se pode fotografar, diferente do Museu do Louvre (Paris) onde, até a “Monalisa” é fotografada...
À noite, tomamos um trem noturno, com cabines, em direção a Luxor .
Ao chegarmos de manhãzinha a Luxor, encontramos uma estação em reformas e foi aquela dificuldade carregar as malas (sobre pranchas). Finalmente chegamos ao nosso navio: Nile Story.
O que é o “Nile Story”?
Um navio fluvial com 40 suítes, destinadas aos turistas. É companheiro de outros 208 barcos que fazem a linha turística de Luxor a Assua. O navio nos surpreendeu, embora veteranos de muitos cruzeiros. Suítes espaçosas, com tv via satélite, banheiros amplos, amplas vistas (todas as cabines são exteriores), um lobby com pessoal altamente prestativo - falando todas as línguas (preferencialmente o inglês).
Serviço de restaurante excelente, internacional, com self service e aqui, serve-se bebida alcoólica - a cerveja “Sakara” é muito boa.
No último deck, estão as piscinas com o bar, onde rola muita conversa e os planos do dia seguinte. Para quem deseja, há a bordo uma academia com massagistas. Estava esquecendo: há “lojinhas” a bordo onde é possível encontrar todo tipo de recordações do Egito.
Deixando o barco como hotel, pegamos uma van e fomos amanhecer em Luxor. Colunas monumentais, estátuas, corredores onde circularam tantos faraós há mais de 5 mil anos. Encontramos uma coruja inscrita na parede do templo (somos colecionadores de corujas) e aí a identificamos como letra do hieróglifo = M. Como o guia não tinha um elemento para nos orientar, emprestei a bandeira do Brasil (do penta): perdi-a, ficou com ele. No mesmo roteiro visitamos Karnak.
Em seguida, visitamos o templo de Esna e retornamos ao “Nile”. Aqui temos a Barragem de Esna, sobre o Nilo. Fomos aos colossos de Memnon, hoje parcialmente destruídos por terremotos e inundações.
Vale dos Reis
Visita surpreendente foi ao Vale dos Reis, onde estão concentradas as tumbas dos faraós mais importantes. Chega-se de van e toma-se um “trenzinho” puxado por um trator e há uma área onde o guia faz as explicações necessárias. Visita-se umas três tumbas, todas saqueadas e que apresentam, ainda, as pinturas murais. Algumas são de difícil acesso e outras mais fáceis. A área é toda de calcário, o que facilitou as escavações.
A próxima visita: o templo de Hatschepsut, única mulher que se tornou faraó. Construiu sob um paredão de calcário um gigantesco templo, com portadas de granito (vindos de fora), estátuas enormes, uma canal de ligação com o Nilo. Há uma parede onde mostra a figura da faraó grávida - assumindo sua posição feminina e de mãe.
Percorrendo o rio Nilo, observamos suas margens com plantações irrigadas (captações no rio) de bananas, tâmaras, milho, forrageiras, e laranjas (aliás muito doces).
Edfu é o templo mais bem conservado do Egito, inclusive com cobertura, dedicado ao deus Horus (falcão), construido pelos ptolomeus (família de Cleópatra).
Maravilhosa foi a visita a Kom Ombo, feita no período noturno, há uma dedicação grande ao deus Crocodilo. Ancorados em Assuã, fizemos um passeio magnífico de faluka (barco a vela típico do Nilo), visitando: a Ilha Kichener, Jardim Botânico construído por um inglês numa ilha.; a Aldeia Núbia (antigos habitantes da região), passando pelo mausoléu do famoso Aga Kahn (pai do playboy Ali Kahn - famoso por namorar artistas de cinema na década de 50) e a residência da “begun” (esposa): grandiosos.
Na aldeia, alguns montaram em camelos, outros foram para um restaurante onde tivemos a sensação perfeita de como vivem os núbios que colocaram em nossas cabeças filhotes (mansos) de crocodilos. A casas usam o vime para janelas e coberturas: lá não chove. É o local da antiga 1ª. Catarata, desaparecida (como a nossa 7 quedas), após a construção da barragem de Assuã.
Voltamos ao “Nile Story” para conhecer a extensão da barragem de Assuã, com sua hidrelétrica que revolucionou o Egito. Além de ser fornecedora de energia para o país, barrou o rio formando o Lago Nasser (homenagem ao presidente construtor - Gamal Abdel Nasser) e controlando as cheias do rio, favorecendo a captação e irrigação. Completamos a visita do dia a uma fábrica de essências, para perfumes e florais.
Alexandria
À noite, retornamos ao trem para voltar ao Cairo, depois de 12 horas de viagem. Lá, havia uma van nos esperando. Fomos para Alexandria, no delta do Nilo e que foi fundada por Alexandre Magno, que se coroou, também, faraó. Percorremos mais de 300 km e fizemos algumas observamos interessantes e continuamos nosso tour cultural.
Entramos no “Pilar de Pompeu”, construído para homenagear um membro do Triunvirato (Crasso, Pompeu e Otávio-depois Augusto), com muitas esfinges e restos de um templo; dirigimo-nos para o Palácio do Rei Faruk - hoje um monumento nacional e residência do presidente da República. Em seguida fizemos um tour pelo porto de Alexandria e o local onde existiu o Farol de Alexandria (maior do mundo), depois destruído por terremoto e é provável maremoto (tsunami).
E fomos ao que muito nos interessava: Biblioteca de Alexandria (a nova), que havia sido incendiada, hoje é um projeto norueguês que utiliza a luz natural e totalmente informatizada. Foi uma visita inesquecível.
A viagem valeu por um sonho, como diria um site que consultamos na Internet: “O trem do inferno e o Barco dos Sonhos”. Conhecendo as civilizações americanas (quechua/inca, maia e azteca), a Grega e, agora a Egípcia, encontramos muitas semelhanças entre elas, por quê ?
* Professor Muricy comemorou 70 anos durante a Viagem dos Sonhos ao Egito