Bariri – Uma medalha de Nossa Senhora de Fátima quase partida ao meio dá bem a dimensão da violência usada no assassinato dos três irmãos idosos, na madrugada de ontem, no Centro de Bariri (56 quilômetros de Bauru).
A medalha, do tamanho de uma moeda de um centavo, estava pendurada no pescoço de Rosa Tonin, 86 anos, e foi recolhida por um sobrinho antes de ela ser levada em estado grave para o hospital.
Um objeto cortante, provavelmente uma faca, abriu a medalha até o meio. Acredita-se que o corte foi provocado por um dos golpes que Rosa teria recebido quando foi surpreendida pelo bandido (ou seria mais de um?) que invadiu sua casa na madrugada de ontem.
Rosa foi a única socorrida ainda com vida, mas morreu pouco depois, na mesa de cirurgia. Os outros dois irmãos dela, Maria Luiza Tonin, 89 anos, e Augusto Tonin, 87 anos, foram encontrados já sem vida, caídos próximo à porta dos fundos.
Segundo a polícia, todos foram golpeados por faca e ainda foram feridos a pauladas em várias partes do corpo, mas principalmente na região da cabeça. Até o início da noite de ontem, nenhum suspeito havia sido preso. Algumas pessoas foram levadas até a delegacia, mas por falta de provas foram todas liberadas.
Aliás, como bem definiu a moradora Josiani de Souza Pereira, o crime de ontem “é um mistério”. O delegado Marcílio César Frederice Mello não deu nenhuma informação sobre o crime, mas é possível notar que não existe sinal de arrombamento na casa. Ou seja, os assassinos não precisaram usar da força física para entrar.
O crime só foi descoberto por volta das 9h, quando um funcionário que presta serviço para a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) passou fazendo a leitura da energia. Como de costume, ele teria batido à porta, mas ninguém atendeu. De acordo com os vizinhos, o relógio que marca a energia consumida na casa fica no interior da residência.
Como ninguém atendeu, o leiturista deu a volta e foi chamar os moradores por um portão que fica nos fundos da casa. Como o portão estava destrancado, ele abriu e se deparou com os corpos de dois dos irmãos caídos no chão.
Da casa até a delegacia existem apenas 20 metros de distância. Os policiais foram acionados, mas nenhum vestígio que indique os autores da agressão foi encontrado. De acordo com a família, que está evitando falar sobre o assassinato, ainda não é possível saber se foi levado algum valor em dinheiro. Aparentemente, nada foi roubado.
O crime de ontem foi o quarto registrado nos últimos meses contra os idosos. No entanto, nenhum havia chegado a um desfecho tão trágico. O enterro dos irmãos Tonin está previsto para hoje, às 16h.
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Hipóteses
O triplo homicídio assustou a vizinhança. Ana de Souza, 82 anos, disse ter ficado chocada com o ocorrido. Há mais de 50 anos, ela convivia quase que diariamente com os irmãos Augusto, Maria Luiza e Rosa Tonin.
Ela conta que os três nunca deram motivos para qualquer tipo de reclamação. Os irmãos só saíam de casa para ir à igreja ou para passar o domingo com o resto da família. Os três eram solteiros e viviam com o pouco que recebiam da aposentadoria.
“Não cabe na cabeça da gente uma coisa dessas”, disse José Messias, marido de Ana, também assustado com os assassinatos. Nem ele nem a esposa ouviram barulho durante a madrugada.
A polícia acredita que os crimes tenham sido cometidos por volta das 5h30. Segundo os vizinhos, era por volta desse horário que as irmãs acordavam. Como o banheiro fica nos fundos, do lado de fora da casa, os vizinhos suspeitam que as duas tenham sido surpreendidas quando abriram a porta.
Outra hipótese bastante comentada ontem entre os vizinhos era a de que os irmãos morreram porque teriam reconhecido os assassinos. Ou seja, os bandidos teriam entrado para roubar, mas foram reconhecidos e, por isso, decidiram matar as testemunhas. O delegado Marcílio César Frederice Mello, que preside o inquérito policial, não deu informação sobre as suspeitas da polícia para o crime.