08 de julho de 2026
Articulistas

Comparando FHC com Lula


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Por maior que seja o esforço da oposição para “demonstrar” que quase nada mudou (ou que a vida até piorou, como afirmam líderes mais ansiosos), é inegável que a economia brasileira melhorou significativamente nestes três anos de governo Lula. Em termos de crescimento não aconteceu nada de glorioso, mas em quase todas as áreas examinadas houve progresso.

São resultados - como no caso dos níveis de emprego - que contribuem para a melhoria do padrão de vida da população trabalhadora ou - como acontece com as exportações - revelam uma forte redução da dependência externa. Os indicadores da economia, comparando a situação no final de 2002 (quando terminou o período FHC) com dezembro de 2005, terceiro ano do atual governo, dão uma idéia da mudança. Sua divulgação recente causou alguma urticária no olimpo tucano, mas os dados são irretocáveis.

Com tais diferenças, fica cada dia mais difícil sustentar o slogan que “a política econômica de Lula é cópia da de FHC, só que executada com menor competência”. A verdade é que o atual governo, graças à expansão do comércio exterior e a uma política fiscal mais responsável, iniciou a desmontagem das armadilhas interna e externa construídas no governo anterior desde quando permitiu somar 186 bilhões de dólares de déficit em conta corrente. É preciso não esquecer que a administração tucana deixou como herança uma pesada carga tributária, fruto bastardo da dívida de 55,5% do PIB, muito mal financiada e que produziu a política de juros altos que inibe nosso crescimento. A relação Dívida Líquida/PIB caiu para 51,6 % , após três anos. Duas semelhanças ainda são perturbadoras: a manutenção do alto nível da carga tributária bruta e a ausência de rigor no controle dos gastos públicos. O Brasil parece que abandonou o critério de cortar despesa de custeio para aumentar os investimentos públicos. Desde o governo FHC as despesas de custeio crescem anualmente 6% em termos reais, enquanto o PIB cresceu abaixo de 3% ao ano, na média. Tenho repetido com insistência (apesar da fraca audiência) que os gastos de custeio da máquina pública aumentaram tanto nos últimos 10 anos que o Estado brasileiro não cabe mais no PIB brasileiro! Precisamos então de um “choque de gestão”, ou seja de um programa inteligente e persistente de redução da despesa pública, exigindo análise da rentabilidade de cada centavo que vai ser gasto, enfim gastar melhor o recurso para conseguir o crescimento com equilíbrio. Os números mostram que podemos atingir em pouco tempo a “velocidade de escape” da terrível armadilha em que nos encontrávamos em 2002. Estou convencido que o Brasil está “quase” preparado para uma segura viagem ao desenvolvimento econômico robusto, com estabilidade monetária, equilíbrio externo e redução das desigualdades de renda, pessoais e regionais.

O autor, Antonio Delfim Netto, é deputado federal pelo PP-SP e professor emérito da USP