10 de julho de 2026
Geral

Vestibulando de 17 anos passa em medicina em 4 faculdades públicas

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Passar no vestibular de faculdade pública não é fácil. Quando o curso escolhido é medicina, fica mais difícil ainda. E o que dizer se um aluno consegue passar em quatro faculdades públicas em medicina antes mesmo de fazer cursinho pré-vestibular? Pois José Arnaldo Shiomi da Cruz, aos 17 anos, conseguiu vaga na Escola Paulista de Medicina (Unifesp), na Universidade do Estadual Paulista (Unesp), na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade de Campinas (Unicamp).

Difícil escolher? Que nada. Arnaldo sabe muito bem o que quer. “Eu sempre digo que, se quisermos conquistar uma coisa, precisamos nos concentrar no objetivo”, afirma, contando que optou pela USP. O estudante já está com as malas prontas para mudar-se para a Capital do Estado de São Paulo. Ele tem menos de um mês para aproveitar o fim das férias e dedicar-se ao novo projeto de vida.

Estudar na USP é seu sonho desde que decidiu fazer medicina, quando estava no 1.º ano do ensino médio. Antes, não tinha costume de estudar. Quando decidiu a carreira que iria seguir, a mesma de dois tios, ‘mergulhou’ nos estudos. A rotina de Arnaldo, aluno do colégio Fênix, foi a mesma durante três anos: estudar, estudar e estudar. Nas horas livres, ele também estudava. “Começava o meu dia indo para o colégio, às 7h. Estudava até 12h30. Chegava em casa, almoçava e cochilava um pouco. Às 14h, começava a estudar de novo. Só parava às 20h30 para assistir telejornal e depois estudava até a meia-noite”, conta.

Estudar nas férias? “Lógico que sim. Tirava 10 dias para descansar e depois voltava aos estudos. Todos os dias”, afirma Arnaldo. Para aqueles que se preparam para prestar prova de vestibular, o estudante dá uma dica: “O melhor é se dedicar a uma disciplina por dia. Por exemplo, eu estudava física às segundas-feiras e matemática às terças. É melhor porque o estudo fica mais aprofundado. Conhecer bastante sobre cada disciplina é o diferencial que outros não têm. Isso que faz a diferença na hora do vestibular”, aconselha.

Arnaldo recebeu a notícia de que tinha conseguido a vaga mais sonhada, na USP, quando estava na casa dos avós, em uma cidade no interior do Paraná, na quarta-feira. “Tentei acessar a Internet, mas não conseguia. Dormi preocupado e a notícia veio pela manhã. Meu tio me ligou e deu a notícia”, conta. “Não existem palavras para definir o que estou sentindo”, completa.

Desde então, ele só pensa na carreira e não ilude-se. “Sei que vou ter que estudar mais ainda agora. Medicina não é fácil. Vou ter que lidar com cadáveres na aula de anatomia. Mas não acho ruim porque gosto de desafios”, diz o rapaz.

____________________

Façanha

Com a experiência de dar aulas a vestibulandos, a professora de física Alice Assis avalia que a façanha de Arnaldo Shiomi, que passou em quatro faculdades públicas no curso de medicina, é um exemplo para outros estudantes. “Existem alunos que fazem mais de um ano de cursinho para passar no vestibular. Conseguir uma vaga em quatro universidades públicas é bem difícil. O Arnaldo é o típico aluno que todo professor gosta de ter”, orgulha-se.

A professora está feliz também por sua filha. Natália Assis Medeiros, 18 anos, que passou em nutrição na Universidade de São Paulo (USP) e aguarda resultado de outras duas universidades públicas, pois seu nome está na lista de espera. “Não estudei tanto quanto o Arnaldo, mas me dediquei bastante para conseguir passar”, conta Natália.

Outra vestibulanda, Paula Belini Baravieira, colega de Arnaldo, também tem muito o que comemorar. “Consegui passar em primeiro lugar no curso de fonoaudilogia na USP”, conta. “Vou continuar morando em Bauru, perto do meu namorado e amigos”, planeja.