07 de julho de 2026
Nacional

25 de Março volta a perder clientes

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Para o presidente da Univinco (associação dos lojistas da região da rua 25 de Março), Jorge Dib, os tiroteios ocorridos anteontem na ladeira da Constituição e na rua Barão de Duprat espantaram os clientes ontem. Dib compara a queda no fluxo de clientes na região com o causado pela bomba que explodiu na 25 de Março às vésperas do Natal do ano passado. “A bomba teve o mesmo impacto, mas o tiroteio também prejudica muito porque fevereiro é o mês mais fraco do ano”, diz Dib.

Segundo o presidente da associação, o número de clientes foi visivelmente menor na região ontem, o que afeta diretamente o faturamento dos lojistas. “Tudo isso denigre a imagem da região e é prejudicial não só para os comerciantes, mas também para os turistas que visitam o centro”, afirma Dib. Ele acredita que um maior policiamento por parte da Polícia Militar e maior fiscalização da Guarda Civil Metropolitana contribuiriam para melhorar a imagem da região.

Procurada pela reportagem na tarde de ontem, a GCM afirmou que o contingente é suficiente na região e que não pretende aumentar o número de homens. Segundo a guarda, 90 guardas fazem a fiscalização na região normalmente, número que aumenta em datas de maior movimento, como o Natal e o dia das mães. A Polícia Militar foi procurada mas ainda não se manifestou.

Duas mortes

Um dos tiroteios ocorreu por volta das 15h45, durante uma operação de apreensão de produtos irregulares na ladeira da Constituição. Um camelô identificado como Marcelo Marinho, 31 anos, teria desarmado um guarda e atirado contra ele ao reagir à apreensão. Como o guarda usava um colete à prova de balas, ele não se feriu.

Marinho teria tentado fugir, mas foi impedido por um investigador do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) que percebeu a ação. Houve troca de tiros. O camelô foi atingido e morreu. O policial foi baleado no braço e está internado.

Na madrugada de ontem, também morreu José Roberto dos Santos Soares, 31 anos, encontrado baleado ontem na rua Barão de Duprat, local do tiroteio. Uma bala perdida ainda atingiu a perna de um homem identificado como Luiz Augusto Oliveira Risati, 31 anos, que fazia compras. Ele passa bem.

Na tarde do dia 23 de dezembro de 2005, antevéspera de Natal, uma bomba de fabricação caseira - feita com um extintor de incêndio e pregos - explodiu dentro de uma lixeira na rua 25 de Março (centro de São Paulo). Pelo menos 15 pessoas ficaram feridas, algumas com gravidade.

No momento da explosão, cerca de 100 mil pessoas passavam pela região, que é famosa pelo comércio popular. Na ocasião, o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), classificou a explosão como “ato terrorista”.