Do lado dos “mocinhos”, o policial mata quando há necessidade máxima do uso da força. Mesmo assim, é necessário que ele tenha consciência de que não havia nenhuma outra chance de resolver a situação sem o disparo da arma para que esse ato não influencie de forma brutal em sua vida pessoal.
João, nome fictício, é profissional da polícia há 23 anos e já fez uso da arma várias vezes. Em algumas delas, o resultado foi a morte. Ele explica que a consciência do dever é primordial para que o autor do disparo não sofra. “Nós, policiais, temos de estar preparados para enfrentar o confronto com marginais e com a alegria de um nascimento.”
Ele conta que a polícia prepara seus integrantes para conviver com a alegria e a tristeza. “Tenho consciência de que em todas as vezes que fui obrigado a disparar a arma tinha esgotado as chances de a pessoa se render. Em algumas situações, era a minha vida ou a dele.”
No primeiro caso, há 13 anos, a resistência seguida de morte aconteceu após a vítima ter cometido um assalto e rendido uma família inteira. “Ele rendeu o casal e os filhos, humilhou e aterrorizou. Enfrentei a situação sem medo, não deu tempo de ter esse sentimento. Fui enérgico e pedi que ele entregasse a arma.”
O assaltante não só não entregou a arma como tentou atingir o policial. “Tive de ser profissional, me vesti de idealismo e disparei a arma. Ele foi socorrido, mas morreu.”
“Cabeça” em dia
Para o policial, dois fatores são importantes nessa hora. “Uma família estruturada que dê apoio e o acompanhamento psicológico. Na minha corporação temos um programa com três fases para detectar se o policial está passando por alguma alteração psicológica. Na primeira delas, é feita uma avaliação por uma psicóloga. Se ela detectar qualquer problema, o policial passa por um curso e posteriormente é acompanhado.”